sábado, 8 de abril de 2017

De onde veio o folclore brasileiro?

Saci, Curupira e Boitatá são alguns dos diversos personagens de lendas que os brasileiros conhecem muito bem, mas poucos sabem de onde vieram esses mitos. O folclore brasileiro é uma mistura da mitologia dos índios nativos, em conjunto com os mitos trazidos da Europa pelos portugueses e da África pelos escravos africanos.
Aprenda um pouco mais sobre a origem do nosso folclore.

O Boitatá é uma cobra-de-fogo gigante que protege os campos contra aqueles que o incendeiam. Vive nas águas e pode se transformar também numa tora em brasa, queimando aqueles que põem fogo nas matas e florestas. 
Na verdade a lenda foi criada pelos tupi-guaranis (boi e tatá, significando cobra e fogo) para explicar o efeito do fogo-fátuo que é quando a oxidação de fosfina (PH3), difosfano (P2H4) e metano (CH4), produzidos pela decomposição orgânica se inflamam e criam "luzes". 

A Boiuna ou Cobra-Grande é uma serpente gigante da Região Norte, que mora entre as rochas dos rios e lagoas, de onde sai para afundar barcos. Quando ela sai das rochas, troveja, lança raios e faz chover. Ainda segundo o folclore, a lua é a cabeça da serpente, as estrelas são os olhos e o arco-íris é o sangue da Boiuna.
O mais provável é que a cobra gigante fosse uma sucuri que vivesse nos rios, e como qualquer mito seus contadores foram exagerando até que ela ficasse gigante e poderosa.

O Curupira é um ser de cabelos de fogo e pés virados para trás, normalmente ele anda acompanhado de algum animal e é um protetor das matas, ele ataca caçadores e faz eles se perderem na floresta para nunca mais saírem. Também chamado de Caipora, e Pai-do-Mato ele/ela é uma entidade da mitologia tupi-guarani.
O mais provável é que o mito do Curupira ou Caipora venha dos Anhanga, um ser maligno que causava doenças ou matava os índios. Há relatos de entidades semelhantes entre quase todos os indígenas das Américas Latina e Central. Com o passar do tempo o mito foi amenizado e ele passou a ser um protetor da mata, mesmo assim há relatos dos jesuítas, na época da colonização do Brasil, de que os índios ainda temiam muito o Curupira e até mesmo realizavam oferendas para ele.


Dizem que o sétimo filho homem de uma família nasce amaldiçoado, e em noite de lua cheia ele se transforma em um monstro metade homem, metade lobo e sai para caçar qualquer coisa que ficar em seu caminho.
A lenda do Lobisomem brasileiro é apenas uma imitação das lendas originais europeias. Existem várias versões da origem dessa lenda, mas uma das mais aceitas diz que os lobisomens eram na verdade assassinos comuns, mas seus crimes eram tão horrendos que o povo preferia acreditar que um monstro havia feito aquilo e não um humano.


Mulher que se apaixona por padre vira Mula-Sem-Cabeça, ela passa as noites rondando pelos povoados assustando e atacando qualquer um, o único jeito de quebrar a maldição é lhe tirando a ferradura ou uma gota de seu sangue.
A lenda é hispânico-portuguesa e sua criação teve um motivo bem simples: assustar meninas. na época da criação do mito ambos os países eram bem religiosos, e eles levavam as regras da Igreja bem a sério, então para prevenir que mulheres se apaixonassem por padres e perdessem a virgindade antes do casamento várias histórias eram contadas para assustar elas.


Com certeza uma das lendas mais famosas do Brasil o Saci Pererê é um garoto negro com gorro vermelho de uma perna só, vive aprontando travessuras e pode se transformar em um redemoinho, mas pode ser capturado com uma peneira e uma garrafa.
A lenda é uma importação portuguesa que se misturou com outra lenda dos Tupinambás, a da Matita-Perera, que era uma ave de vida misteriosa e cujo assobio nunca se sabe de onde vem. Com o passar do tempo a ave virou um garoto caboclo e assim nasceu o Saci Pererê. Para quem não sabe Saci é o nome popular da ave Tapera Naevia.


Diz a lenda que se uma criança for desobediente uma velha feia com rosto de jacaré, rouba elas e as cozinha em seu caldeirão. 
A Cuca é na verdade uma "imitação" do Bicho-Papão (Bogeyman no original) e do Velho do Saco. Todas essas lendas foram criadas para assustar crianças e fazer elas obedeceram seus pais.


O Negrinho do Pastoreio é um menino escravo que foi espancado pelo dono e largado nu, sangrando, em um formigueiro, por ter perdido um cavalo. No dia seguinte, quando foi ver o estado de sua vítima, o estancieiro tomou um susto, o menino ainda estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas e nem das formigas.  O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu, apenas saiu de lá em seu cavalo e desapareceu.
A lenda é afro-cristã, nas versões mais antigas que curou o escravo foi Nossa Senhora Aparecida, antes dele desaparecer ele beijou a mão da santa e foi abençoado. Acredita-se que o único motivo dessa lenda ter sido criado foi para influenciar as pessoas a entrarem na religião, mostrando o poder que os santos tinham de ajudar as pessoas.


A lenda do Boto, ou do Boto-Cor-de-Rosa, diz que quando ele sai da água ele se transforma em um homem bonito e charmoso que paquera todas as mulheres bonitas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes da madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto novamente.
Esta lenda pode ser uma versão sobrevivente do Ipupiara original, que depois também se transformou na lenda da sereia Iara que seduzia homens e os levava para o fundo do mar. O Ipupiara é um homem-peixe que levava pescadores para o fundo do rio, onde os devorava. Todas essas lendas foram inspiradas pelos contos das sereias europeias, que depois se misturaram a cultura africana e indígena e deu origem a essas outras versões.

Curtiu a matéria? Se a resposta for sim não deixe de curtir também o nosso facebook: Real World Fatos e encontrar muitas outras matérias legais e interessantes.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...