A língua portuguesa está sempre evoluindo, e com isso as nossas gírias e expressões também evoluem, por exemplo: ninguém na época da sua avó estava "farmando aura" ou dizendo que algo era "top". Mas se as expressões evoluem isso quer dizer que algumas delas simplesmente desaparecem? Bom, sim! E nós vamos conhecer algumas delas agora mesmo.
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| Foto de Toa Heftiba na Unsplash |
Antigamente quando você queria cortejar alguém romanticamente dizia-se que estava a "fazer pé de alferes". O "alferes" no caso é um posto militar baixo que costumava ficar parado na porta da igreja, perto de uma bandeira ou na rua.
Basicamente ele precisava manter o posto de maneira inabalável, tal como o pretendente persistente junto à pessoa amada.
A antiga expressão popular "não valer dez réis de mel coado" significa que algo ou alguém tem pouquíssimo ou nenhum valor, sendo totalmente insignificante, imprestável ou de qualidade muito baixa.
"Réis" era o dinheiro brasileiro da época, que viria a ser substituído pelo Cruzeiro. E "mel coado" representava uma porção pequena de um produto que já foi refinado.
Você sabe o que significa "perder a tramontana?" Muito provavelmente não, mas basicamente significa ficar perdido, ou perder a paciência com algo.
"Tramontana" no caso era o nome do vento do norte que ajudava navegadores a se localizarem no oceano.
A expressão "tudo como dantes no quartel de Abrantes" significa que nada mudou, e tudo continua exatamente igual a antes. A frase surgiu em Portugal no final de 1807, durante a primeira invasão das tropas de Napoleão Bonaparte e acabou chegando ao Brasil algum tempo depois.
A expressão, segundo fontes históricas, vem do fato que o general francês Jean-Andoche Junot instalou seu quartel-general estratégico na cidade portuguesa de Abrantes, situada às margens do rio Tejo. Como dom João VI e toda a corte portuguesa haviam fugido para o Brasil e a população não resistiu à invasão, a tranquilidade com que o general mantinha seu poder fez nascer a expressão.
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| Biser Todorov, CC BY 4.0 via Wikimedia Commons |
A expressão "tomar a nuvem por Juno" significa iludir-se com aparências, confundir uma ilusão ou fantasia com a realidade, ou interpretar mal um sinal.
A origem da frase vem da mitologia greco-romana, nela o mortal Íxion apaixonou-se por Juno (Hera), a esposa de Júpiter (Zeus). Para enganar o mortal, Júpiter criou uma nuvem com a exata aparência da deusa. Enganado, Íxion uniu-se à nuvem, acreditando tratar-se da própria divindade.
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| Sergey Sosnovskiy, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons |
Um "erro crasso" é uma falha muito grave, inescusável ou grosseira. A expressão costumava ser usada para descrever um engano tão óbvio ou estúpido que poderia ter sido evitado facilmente.
A cultura popular atribui a expressão aos equívocos do romano Marco Licínio Crasso, que em 53 a.C. perdeu a batalha de Carras e faleceu em combate.
"Dar ao canelo" basicamente significa andar muito ou fugir de algo. A expressão faz referência direta ao uso das pernas e canelas para o ato de marchar ou correr.
A expressão popular "ter bom bucho" significa ter um estômago forte, capaz de digerir qualquer tipo de comida pesada sem passar mal, mas, em sentido figurado, significa ter muita paciência e tolerância para aguentar desaforos, ou situações difíceis.
Acredite ou não, "gastar cera com defunto ruim" era uma expressão que nossos antepassados usavam, basicamente significa perder tempo, energia ou recursos com quem não merece, não tem jeito ou não dá valor.
A origem da expressão vem do fato de que arranjar velas para funerais poderia ser algo caro.
"Estar em mangas de camisa" significava estar fora de seu elemento, ser pego desprevenido, igual uma pessoa em um evento formal que havia esquecido seu paletó e estava apenas com sua camisa.
Similarmente temos a expressão "estar de capote rasgado", que significa estar na miséria, na pobreza, etc.
O "capote" refere-se a um casaco velho ou capa longa, e estar com ele rasgado denota abandono, pobreza ou desgaste extremo.
A expressão popular "dar de esporas ao cavalo de São Jorge" significa apressar, estimular ou forçar alguém a agir com rapidez, incitando pressa em uma situação ou tarefa. É uma alusão à imagem clássica de São Jorge montado em seu cavalo em movimento.
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| LBM1948, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons |
A expressão "dar às de Vila Diogo" significa fugir depressa, sair correndo ou escapar de um perigo ou de uma situação difícil.
A expressão foi trazida ao nosso país pelos espanhóis, mas nem eles sabem exatamente como a expressão surgiu, alguns dizem que é devido ao fato de que a vila espanhola de Villadiego oferecia proteção aos judeus no século XIII, que iam para lá para fugir de perseguições. Mas outra teoria diz que "Villadiego" remete a calças ou roupas velhas deixadas para trás na pressa de escapar.
"Ficar no caritó" é uma expressão que basicamente significa ficar sem se casar. A palavra "caritó" refere-se a uma pequena prateleira ou nicho alto nas paredes de casas sertanejas antigas, onde se guardavam objetos esquecidos ou fora de uso.
"Armar um banzé" significa criar confusão, fazer barulho, alvoroço ou iniciar uma grande algazarra e desordem. "Banzé" significa barulho, mas também era usada para descrever festas grandes que muitas vezes terminavam em confusão.
E por último a expressão popular "estar nas sete quintas" significa estar muito feliz, satisfeito, confortável e perfeitamente à vontade em uma situação ou lugar.
A origem remonta a um conjunto de sete propriedades da Casa do Infantado, em Portugal, onde os reis passavam longas temporadas de lazer. Quando o monarca se encontrava nesses locais de descanso favoritos, dizia-se que ele estava nas suas "sete quintas".
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