De cães e gatos, até macacos, burros e elefantes, não existe um animal que possa ser adestrado que não tenha sido usado por humanos em suas guerras, mas alguns desses bichinhos se superaram no quesito habilidade e entraram para a história como grandes guerreiros, confira agora a história de mais alguns deles.
E caso goste da matéria clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte (incluindo guerreiros humanos). E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policiais) do mundo, clicando aqui.
 |
| Attributed to Louise Hollandine of the Palatinate, Domínio público, via Wikimedia Commons |
Vamos começar com Boy, ou Pudol, ou Boye, ou Puddle, bom... o cachorro tinha muitos nomes isso é certo, mas sua vida entrou para a história e você vai ler ela agora.
Para ficar mais fácil de entender vamos chamar o cachorro apenas de Boy, ele era um poodle branco que foi dado de presente ao famoso guerreiro Rupert do Reno (cuja vida nós já cobrimos na matéria "Os maiores guerreiros do mundo #9" caso você queira ler ela também).
Boy foi dado ao ex-príncipe Rupert quando este foi preso na fortaleza de Linz durante a Guerra dos Trinta Anos. O conde de Arundel, um inglês que se tornou amigo do carismático Rupert, deu a ele o animal para lhe fazer companhia durante o confinamento. O cão era de uma raça rara de poodle branco de caça, na verdade provavelmente haviam dois poodles, um preto e um branco. O preto foi perdido no início da guerra, foi o sobrevivente branco que se tornou uma lenda. Como já vimos o cão era chamado por muitos nomes, mas principalmente de Boy, ou "Garoto", embora, curiosamente, ele talvez fosse fêmea.
Onde quer que Rupert fosse, Boy o seguia bem de perto, incluindo pra guerra, o cão tinha visto mais morte e corpos do que muitos humanos, mas continuava leal a Rupert.
A fama de Boy era tanta que propagandas da época diziam que Rupert era um bruxo e que Boy era seu familiar, um cachorro bruxo que pegava balas com a boca e tinha poderes de magia negra que ele usava para ganhar suas batalhas, alguns até diziam que ele era o Diabo disfarçado. Tudo baboseira, mas Boy era suficientemente impressionante e famoso em toda a Europa, tanto que o sultão otomano da época, Murad IV, solicitou que seu embaixador tentasse encontrar para ele um animal semelhante ao poodle.
Com o passar dos anos a fama de Boy só crescia, ele agora não era só um cão bruxo, ele também era uma mulher que havia sido transformada em cão, podia encontrar tesouros, era invulnerável a ataques inimigos, era vidente e podia mudar de corpo igual um metamorfo.
Se o cão pudesse ler ele provavelmente se mataria de dar risada, toda essa fama fez com que os soldados reais promovessem Boy, de um simples mascote militar adotado, para o posto de sargento-major-general.
Alegadamente, Boy tinha outros atributos carinhosos, como inclinar a perninha quando ouvia o nome de John Pym, líder das forças parlamentares. Ele também teria se apresentado para Charles I, dormido na cama do príncipe Rupert e brincado com os príncipes Charles, James e Harry e a princesa Henrietta, e muitas vezes era alimentado com rosbife e peito de frango capão pelo próprio Rei Charles I.
Pelo que se sabe Boy era um cão feliz que tinha uma boa vida, mas a guerra não poupa ninguém, Boy morreu durante a Batalha de Marston Moor em 1644. Ele havia sido deixado em segurança no campo monarquista, mas escapou e foi atrás de seu dono, que ele sempre seguia. A batalha foi mal para os realistas, e Rupert foi forçado a fugir do campo, Boy foi morto durante a luta que se seguiu, provavelmente por um tiro. No fim a morte de Boy foi o que roubou a cena, ninguém ligava para os soldados apenas para o cão bruxo, ele foi representado com destaque em cenas em xilogravuras desenhadas na batalha na época, deitado de cabeça para baixo, morto. Simon Ash, historiador contemporâneo do evento, chamou atenção específica à morte desse cão "muito falado".
Hoje poucos conhecem a história de Boy, mas ele foi registrado como o primeiro cão oficial do exército britânico, um cargo que vai ficar para sempre na história do mundo.