Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Pessoas incríveis da história que você nem conhecia. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Pessoas incríveis da história que você nem conhecia. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

20 de outubro de 2022

Pessoas incríveis da história que você nem conhecia

Fazer algo incrível já é difícil, mas fazer algo incrível e entrar para a história do mundo é quase impossível. Conheça nessa lista algumas pessoas incríveis que você provavelmente nem fazia ideia que existiram.

Boston Sunday Post, Domínio público, via Wikimedia Commons
Margaret Eloise Knight (14 de fevereiro de 1838 - 12 de outubro de 1914) foi uma inventora americana chamada de "a mais famosa inventora mulher do século XIX". Ela fundou a Eastern Paper Bag Company em 1870, criando sacolas de papel para mantimentos semelhantes às que seriam usadas até hoje. Ela também inventou um dispositivo que desligava uma máquina caso algo fosse pego por ela, esse dispositivo foi usado em serralherias e salvou muitos membros ao longo dos anos.
Knight recebeu dezenas de patentes em diferentes áreas e ainda se tornou um símbolo do empoderamento feminino.

Library of Congress, domínio público, via loc.getarchive.net
Idawley Zoradia Lewis (25 de fevereiro de 1842 - 24 de outubro de 1911) foi uma faroleira americana conhecida por seu heroísmo em resgatar pessoas dos mares, chegou a ser chamada de "a mulher mais corajosa da América". 
Ela era filha de um faroleiro que ficou muito doente, então Ida e sua mãe estavam cuidando do farol e também dos outros membros da família. Ida tinha apenas 12 anos quando fez seu primeiro resgate ao ajudar quatro homens cujo barco havia virado. Aos 15 anos, tornou-se a melhor nadadora de Newport. Como o farol estava cercado pela água, ela ainda remava seus irmãos para a escola todos os dias. Depois que seu pai (1873) e sua mãe (1878) morreram, ela se tornou uma faroleira oficial.

Mariusz Kubik, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons
Irena Sendler (15 de fevereiro de 1910 - 12 de maio de 2008), também conhecida como "O Anjo do Gueto de Varsóvia," era uma enfermeira polonesa que salvou 2.500 crianças judias do gueto de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial. Sob o pretexto de realizar inspeções das condições sanitárias dentro do Gueto, Sendler e seus colegas de trabalho contrabandeavam bebês e crianças pequenas. Ela foi presa pela Gestapo e torturada, mas nunca deu nenhuma informação a eles. 

Hollinger & Co., Domínio público, via Wikimedia Commons
Joshua Slocum (20 de fevereiro de 1844 – 14 de novembro de 1909) foi um marinheiro, escritor e aventureiro. Ele foi o primeiro homem a dar a volta ao mundo sozinho e escreveu um livro sobre sua jornada chamado "Sailing Alone Around the World" (Navegando sozinho ao redor do mundo), que tornou-se um best-seller.
Infelizmente seu amor pelo mar também viria a ser sua ruina, ele desapareceu no mar e seu corpo nunca foi encontrado, mas o motivo da morte parecia ser óbvio já que, ironicamente, ele nunca aprendeu a nadar e considerava a natação algo inútil.

18 de novembro de 2025

Pessoas incríveis da história que você nem conhecia #3

Ter o seu nome gravado na história não é algo fácil de se conseguir, e ás vezes alguém consegue mudar o mundo, mas as pessoas simplesmente acabam se esquecendo do que ela fez com o passar dos séculos. Nessa matéria você vai conhecer mais algumas pessoas incríveis que você nem ouviu falar antes.

Lou Dematteis (nascido em 1948) é um fotógrafo e cineasta americano cujo trabalho se concentrou em documentar conflitos sociais, ambientais e políticos e suas consequências nos Estados Unidos e em todo o mundo. Mas ele realmente entrou para a história quando uma de suas fotos acabou revelando um encobrimento da CIA.
Nascido em Palo Alto, Califórnia, Dematteis cresceu na Península de São Francisco. Ele se formou em ciência política pela Universidade de São Francisco e estudou fotografia na De Young Museum Art School, também em São Francisco. Dematteis passou então grande parte de sua vida trabalhando no México, Caribe, América Central e do Sul, Europa e Ásia. Ele ainda trabalhou em Manágua, Nicarágua, durante o auge da guerra dos Contras, e foi aí que ele tirou sua foto mais importante até aquele momento, que mostra a captura do soldado americano Eugene Hasenfus depois que seu avião de carga foi abatido no interior da Nicarágua. Essa imagem foi importante porque ela provou que o governo americano, incluindo a CIA, estava usando ilegalmente os fundos provenientes da venda de armas no Irã para financiar secretamente os rebeldes Contra na Nicarágua, algo que o governo americano estava proibido de fazer. Isso ficou conhecido como o caso Irã-Contras e o escândalo resultante levou à condenação e renúncia de vários funcionários do governo Reagan, principalmente o tenente-coronel Oliver North.
Seu trabalho foi exibido em quatro continentes e em 2007 ele recebeu uma bolsa do Open Society Institute para exibir seu trabalho da Amazônia equatoriana nas comunidades do Equador mais afetadas pela contaminação deixada na região como resultado das práticas de extração de petróleo da Texaco. Além disso o seu documentário Crimebuster: A Son's Search for His Father, que ele produziu e dirigiu, foi exibido na televisão pública a partir de junho de 2012 e recebeu alguns prêmios.

See page for author, Domínio público, via Wikimedia Commons
Sadie Tanner Mossell Alexander (2 de janeiro de 1898 - 1 de novembro de 1989), foi uma importante ativista dos direitos civis.
Em 1921, Sadie se tornou a segunda mulher afro-americana a receber um PhD e a primeira afro-americana a receber um em economia nos Estados Unidos. Em 1927, ela foi a primeira mulher negra a se formar em direito pela Escola de Direito da Universidade da Pensilvânia e se tornou a primeira mulher negra a exercer a advocacia no estado. Ela também foi a primeira presidente nacional da irmandade Delta Sigma Theta, servindo de 1919 a 1923.

Em 1952, ela foi nomeada para a Comissão de Relações Humanas da cidade, servindo até 1968. Ela ainda foi membro fundadora do Comitê Nacional de Advogados para os Direitos Civis de acordo com a Lei (1963), e atuou no conselho da National Urban League por 25 anos.
Ela exerceu a advocacia de 1927 até sua aposentadoria em 1982. Depois ela se juntou ao escritório de advocacia de seu marido como sócia, especializando-se em direito imobiliário e familiar. Ambos também eram ativos na lei dos direitos civis.
A advogada viria a falecer em 1º de novembro de 1989, aos 91 anos, na Filadélfia, de pneumonia como complicação da doença de Alzheimer. Ela foi enterrada no Cemitério West Laurel Hill.

AnonymousUnknown author, Domínio público, via Wikimedia Commons
Huda Sha'arawi (23 de junho de 1879 - 12 de dezembro de 1947) foi uma líder feminista egípcia pioneira, sufragista, nacionalista e fundadora da União Feminista Egípcia.
Ela era filha de Muhamed Sultan Pasha Shaarawi, que mais tarde se tornou presidente da Câmara dos Deputados do Egito, ou seja, ela era rica. Sua mãe, Iqbal Hanim, era descendente de circassianos e foi enviada da região do Cáucaso para viver com seu tio no Egito. Devido ao dinheiro de sua família Sha'arawi foi educada desde cedo junto com seus irmãos homens, estudando vários assuntos, como gramática e caligrafia em vários idiomas. Ela passou sua infância e início da idade adulta isolada em uma comunidade egípcia de classe alta. Após a morte de seu pai, ela ficou sob a guarda de seu primo mais velho, Ali Shaarawi.
Aos treze anos de idade, ela foi casada com seu primo Ali, mas isso não durou muito. Após a sua separação ela continuou se educando e recebeu aulas particulares de professoras no Cairo. Sha'arawi escreveu poesia em árabe e francês e posteriormente relatou sua infância em suas memórias, Modhakkerātī ("Minhas memórias"), que foi traduzido e resumido na versão em inglês Harem Years: The Memoirs of an Egyptian Feminist, 1879–1924.
Naquela época as mulheres do Egito eram confinadas às suas casas ou haréns, algo que ela considerava um sistema muito atrasado. Sha'arawi se ressentia dessas restrições e, consequentemente, começou a organizar palestras para mulheres sobre temas de seu interesse. Isso trouxe muitas mulheres para fora de suas casas e para lugares públicos pela primeira vez na vida delas, e Sha'arawi conseguiu convencê-las a ajudá-la a estabelecer uma sociedade de bem-estar das mulheres para arrecadar dinheiro para as mulheres pobres do Egito. Em 1910, Sha'arawi abriu uma escola para meninas onde se concentrou no ensino de matérias acadêmicas. Ela também fazia suas próprias compras, algo incomum para a época.
A egípcia ainda decidiu parar de usar seu tradicional hijab em 1922. Após retornar da 9ª Conferência do Congresso Internacional da Aliança pelo Sufrágio Feminino em Roma, ela removeu seu véu e manto, o que se tornou um evento marcante na história do Egito. As mulheres que vieram cumprimentá-la ficaram chocadas no início, depois irromperam em aplausos e algumas delas também removeram seus véus e mantos, levando a uma pequena revolução feminista que durou décadas. Ela continuou a liderar a União Feminista Egípcia até sua morte aos 68 anos.

16 de agosto de 2023

Pessoas incríveis da história que você nem conhecia #2

Entrar para a história não é algo fácil de se fazer, e ás vezes você acaba entrando nela apenas para ser eventualmente esquecido por quase todos. Por isso nessa série de matérias vamos ver algumas personalidades que merecem mais destaque.

Nils Bohlin (17 de julho de 1920 - 21 de setembro de 2002) é responsável por salvar milhões de vidas ao redor do mundo, ele é simplesmente o criador do cinto de segurança moderno.
Nascido em Härnösand, Suécia, Bohlin formou-se em engenharia mecânica em 1939. Em 1942, ele começou a trabalhar para a fabricante de aeronaves Saab como projetista de aeronaves e ajudou ainda a desenvolver assentos ejetáveis. Em 1958 ele entrou na Volvo como engenheiro de segurança, lá ele inventou um novo tipo de cinto de segurança que usava três pontos, algo que hoje existe em quase todos os veículos modernos.
Bohlin trabalhou no seu cinto de segurança por cerca de um ano, usando habilidades que ele havia adquirido no desenvolvimento de assentos ejetáveis. Depois de testar o cinto de segurança de três pontos, ele apresentou sua invenção à empresa Volvo em 1959 e recebeu sua primeira patente (número 3.043.625). Dez anos depois, ele liderou o Departamento Central de Pesquisa e Desenvolvimento da Volvo em 1969.
Em 1974, ele foi premiado com o Prêmio de Engenharia de Segurança Automotiva Ralph Isbrandt e, em 1989, foi introduzido no Hall da Fama de Segurança e Saúde. Ele recebeu uma medalha de ouro da Real Academia Sueca de Ciências de Engenharia em 1995 e em 1999, foi introduzido no Automotive Hall of Fame. Ele se aposentou da Volvo como Engenheiro Sênior em 1985 e foi introduzido postumamente no National Inventors Hall of Fame.
Bohlin morreu em 21 de setembro de 2002 aos 82 anos, de ataque cardíaco, e foi enterrado na Igreja Torpa em Ramfall, município de Ydre, Suécia.

Internet download, Domínio público, via Wikimedia Commons
Em 1901, Henry Dunant recebeu o primeiro Prêmio Nobel da Paz por seu papel na fundação do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e no início da Convenção de Genebra, sendo o responsável por salvar milhares de vidas ao redor do mundo.
Dunant (8 de maio de 1828 - 30 de outubro de 1910) nasceu em Genebra em uma família calvinista devota e tinha interesses comerciais na Argélia francesa e na Tunísia. Em 1859, a caminho de fazer uma petição a Napoleão III, ele testemunhou as consequências da Batalha de Solferino, no norte da Itália. Horrorizado com o sofrimento dos vários feridos e com a falta de cuidados que eles recebiam, Dunant tomou a iniciativa de organizar a população local no socorro dos soldados.
Ao retornar a Genebra ele registrou suas experiências no livro A Memory of Solferino, no qual ele defendia a formação de uma organização que prestasse socorro aos feridos sem discriminação em tempos de guerra. Em fevereiro de 1863, Dunant era membro de um comitê de cinco pessoas que buscava colocar seu plano em ação, que na verdade era a organização que se tornaria o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Apenas um ano depois ele participou de uma conferência diplomática organizada pelo governo suíço que culminou na assinatura da Primeira Convenção de Genebra.
Infelizmente Dunant se envolveu em um escândalo comercial em 1867, que resultou em sua falência e expulsão do Comitê Internacional. Ele passou as décadas seguintes na pobreza e na obscuridade, morando em vários lugares da Europa antes de se estabelecer na vila suíça de Heiden. Em 1895, Dunant foi redescoberto por um jornalista, o que lhe trouxe atenção e apoio do povo, e em 1901 ele recebeu o primeiro Prêmio Nobel da Paz ao lado do pacifista francês Frédéric Passy. Ele morreu em Heiden em 1910 aos 82 anos de idade em uma casa de repouso.

Walter Reed Army Medical Center, Domínio público, via Wikimedia Commons
Maurice Hilleman (30 de agosto de 1919 - 11 de abril de 2005) é o pai das vacinas, no total ele inventou mais de 40 delas. De acordo com uma estimativa, essas vacinas salvam quase oito milhões de vidas a cada ano e, durante a pandemia de gripe de 1957-1958, acredita-se que sua vacina salvou centenas de milhares de vidas. Ele também desempenhou um papel na descoberta do deslocamento e desvio antigênico, dos adenovírus produtores de resfriado, dos vírus da hepatite e do vírus SV40, potencialmente causador de câncer.
Hilleman foi eleito membro da Academia Nacional de Ciências, do Instituto de Medicina, da Academia Americana de Artes e Ciências, e da Sociedade Filosófica Americana. Em 1988, o presidente Ronald Reagan pessoalmente o presenteou com a Medalha Nacional de Ciência, a mais alta honraria científica do país. Ele ainda recebeu o Prêmio Prince Mahidol do Rei da Tailândia pelo avanço da saúde pública, um prêmio especial pelo conjunto da obra da Organização Mundial da Saúde, o Prêmio Mary Woodard Lasker de Serviço Público e a Medalha de Ouro Sabin e Prêmios pelo Conjunto da Vida. Em 1975, Hilleman recebeu o Golden Plate Award da American Academy of Achievement.
No momento de sua morte na Filadélfia em 11 de abril de 2005, aos 85 anos, Hilleman era professor adjunto de pediatria na Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia.

25 de janeiro de 2019

Conheça a história dos criminosos mais famosos do mundo - Bonnie e Clyde

Inspirados por nossa série de matérias sobre "Os maiores guerreiros do mundo" (tanto humanos como animais) vamos iniciar hoje uma nova série que fala sobre outras pessoas que viraram lendas, os criminosos mais famosos do mundo.
Não tem como você não ter ouvido falar desses caras, mas você com certeza não conhece a história deles tão bem quanto pensa.

FBI, domínio público, via wikimedia commons
Vamos começar com o Romeu e Julieta do mundo do crime, Bonnie e Clyde. Suas vidas já viraram notícias, livros, filmes e jogos, mas sua verdadeira história você vai ver agora.
Vamos começar com Bonnie Elizabeth Parker. 

FBI, domínio público via Wikimedia Commons
Bonnie teve uma infância pobre e difícil com a mãe e os seus dois irmãos, principalmente depois que seu pai morreu quando ela tinha apenas quatro anos, provocando a mudança da família de sua cidade natal de Rowena para Dallas, Texas.
Apesar da infância na mais absoluta pobreza, ela era uma ótima aluna de inglês e escrevia poemas de qualidade, inclusive vencendo para sua escola um concurso da Liga de Ensino do Condado em Literatura. Na adolescência, sua facilidade com a escrita fez com que chegasse a trabalhar escrevendo introduções de discursos para políticos locais.
Descrita como uma jovem inteligente, de personalidade e força de vontade pelos que a conheceram, Bonnie era uma pequena loira de apenas 1,50 m e 41 kg.
Bonnie largou a escola e casou-se em setembro de 1926 aos quinze anos com Roy Thornton, mas o casamento durou pouco e eles se separaram em janeiro de 1929, Roy foi condenado a cinco anos de cadeia por roubo pouco tempo depois. Eles nunca mais se viram mas ela se divorciou dele, embora tenha usado a aliança de casamento até sua morte.
Em 1930, na casa de uma amiga, ela conheceu o homem que mudaria sua vida e a levaria para uma vida aventureira e fora-da-lei, a tornando famosa no mundo todo por gerações, Clyde Barrow.

19 de outubro de 2018

Os maiores guerreiros do mundo #6

As guerras sempre vão ser parte da história humana, e com ela nós temos os guerreiros, sua grande maioria foi apenas bucha de canhão, mas alguns poucos conseguiram se sobressair e viraram lendas, alguns porém já foram esquecidos pelas pessoas.
Confira nessa matéria a história de mais alguns dos maiores guerreiros que já viveram. E se você quiser conhecer os maiores guerreiros animais que já viveram (sim, estamos falando de cães, macacos, pombos e até elefantes) clique aqui agora mesmo.

Domínio público
Vamos começar com uma pessoa que não foi apenas um ótimo guerreiro como também um símbolo histórico da comunidade LGBT.
Assim como muitos nomes dessas listas você provavelmente nunca ouviu falar do francês Chevalier d'Éon, nem mesmo a comunidade LGBT costuma se lembrar dele, mesmo assim sua história única merece ser recontada.
Nascido em 5 de outubro de 1728 Charles-Geneviève-Louis-Auguste-André-Timothée d'Éon de Beaumont (sim, esse era o seu nome de verdade) foi um dos maiores soldados e espiões da França de sua época... e ele também era trans.
Chevalier nasceu em uma família nobre, mas pobre, mesmo assim seus pais tinham bons empregos para a época e conexões com a realeza e o exército, o garoto era um ótimo estudante e se formou ganhando um diploma em Lei Civil e Direito Canónico, passou então a trabalhar para o departamento fiscal, mas sua vida calma não iria durar muito.
Em 1756, d'Éon juntou-se à rede super-secreta de espiões chamada Segredo do Rei, empregados pelo rei Luís XV sem o conhecimento do governo. Ele então foi mandado em uma missão secreta à Rússia para encontrar a imperatriz Elizabeth e conspirar com a facção pró-francesa contra a monarquia de Habsburgo.
Naquela época, ingleses e franceses estavam em desacordo, e os ingleses estavam tentando negar o acesso da França à imperatriz, permitindo apenas que mulheres e crianças atravessassem a fronteira para a Rússia. D'Éon já havia percebido que ele tinha traços andrógenos, como se isso não bastasse ele também era um ótimo mímico, ele não teve dúvidas e se travestiu de mulher para não ser executado pelos ingleses, ele virou uma mulher de classe chamada Lea de Beaumont, seu disfarce era tão bom que ele passou a servir como dama de honra à Imperatriz.
D'Éon foi excepcional em sua missão, seu maneirismo perfeito fez com que seu disfarce durasse o suficiente até que ele retornou à França em outubro de 1760 e recebeu uma pensão de 2.000 livres como recompensa pelo seu serviço na Rússia. Mas ele ainda não estava satisfeito, em maio de 1761, d'Éon tornou-se capitão de dragões (um tipo de cavalaria) sob o marechal de Broglie e lutou nos últimos estágios da Guerra dos Sete Anos. D'Éon serviu na Batalha de Villinghausen em julho de 1761 mas foi ferido em Ultrop. Depois que a Imperatriz Isabel morreu em janeiro de 1762, d'Éon foi considerado para servir na Rússia, mas em vez disso foi nomeado secretário do duque de Nivernais, premiado com 1.000 libras, e enviado a Londres para redigir o tratado de paz que encerrou formalmente a Guerra dos Sete Anos. O tratado foi assinado em Paris em 10 de fevereiro de 1763 e d'Éon recebeu mais 6.000 libras e recebeu a Ordem de Saint-Louis em 30 de março de 1763, tornando-se o Chevalier (Cavaleiro) d'Éon.
Ainda vivendo como homem ele continuou sua vida de espionagem enquanto trabalhava como embaixador, ele fazia amizade com a nobreza inglesa ao lhe dar vinhos de sua própria criação, e conseguia informações que paravam invasões antes mesmo delas começarem. Mas sua vida boa não durou muito.
Com a chegada do novo embaixador, o conde de Guerchy em outubro de 1763, d'Éon foi rebaixado ao posto de secretário e se sentiu humilhado na frente de seus amigos da nobreza, ele então decidiu sair da França mesmo desobedecendo ordens.
D'Éon era um espião que sabia demais, assim que ele saiu da França o governo parou de lhe pagar sua pensão, eles tentaram extraditar ele, com medo que ele revelasse o que ele sabia sobre os crimes do governo francês. D'Éon até processou Guerchy por tentativa de homicídio por envenenamento. Com os segredos da monarquia em mãos, d'Éon manteve o rei sob controle.
D'Éon não ofereceu nenhuma defesa quando Guerchy processou ele por difamação, então foi declarado um fora da lei e se escondeu. No entanto sua personalidade amigável assegurou a simpatia do público britânico: a multidão zombou de Guerchy em público e atirou pedras em sua residência. D'Éon então escreveu um livro sobre administração pública, "Les Loisirs du Chevalier d'Éon", publicado em treze volumes em Amsterdã em 1774.
Guerchy foi chamado de volta à França e, em julho de 1766, Luís XV concedeu a d'Eon uma pensão (possivelmente um pagamento para assegurar o seu silêncio) e uma anuidade de 12.000 euros, mas recusou a exigência de mais de 100.000 libras para pagar a pensão de d'Éon que tinha dívidas extensas.
D'Éon continuou a trabalhar como espião, mas viveu no exílio político em Londres. A posse das cartas secretas do rei fornecia proteção contra novas ações, mas d'Éon não pôde retornar à França.
Apesar do fato de que d'Éon usava habitualmente um uniforme militar de dragão, circulavam rumores em Londres de que ele era na verdade uma mulher se passando por homem. Uma aposta foi iniciada na Bolsa de Valores de Londres sobre o verdadeiro sexo do cavaleiro. D'Éon até foi convidado a participar, mas recusou, dizendo que um exame seria desonroso, qualquer que fosse o resultado. Depois de um ano sem progresso, a aposta foi abandonada. Após a morte de Luís XV em 1774, seu exílio acabou mas ele teve de devolver todos os documentos que incriminavam a realeza.
Ao voltar para seu país d'Éon passou a viver como mulher e mandou que o governo o reconhecesse como tal. Ele até mesmo disse que ele tinha nascido mulher, o Rei aceitou seu pedido e d'Éon foi um dos primeiros transgêneros da história moderna.
A pensão concedida por Luís XV foi encerrada pela Revolução Francesa e d'Éon teve de vender seus bens pessoais para pagar as contas, incluindo livros, joias e chapas. As propriedades da família em Tonnerre foram confiscadas pelo governo revolucionário. Em 1792, d'Éon enviou uma carta à Assembléia Nacional francesa oferecendo-se para liderar uma divisão de soldados do sexo feminino contra os Habsburgos, mas a oferta foi rejeitada, afinal o pensamento da época era que mulheres não podiam lutar tão bem como homens. 
Além de soldado e espião Chevalier era um ótimo esgrimista, ele derrotou diversos oponentes em duelos, muitas vezes (para o desespero de seus inimigos) vestido como uma mulher. A humilhação de perder era ruim, mas perder para uma mulher era demais.
D'Éon participou de torneios de esgrima até ser gravemente ferido em Southampton em 1796. Os últimos anos de d'Éon foram gastos com uma viúva, a Sra. Cole. Em 1804, ele (agora oficialmente ela) foi enviado para uma prisão de devedores por cinco meses e assinou um contrato para uma biografia, a ser escrita por Thomas William Plummer, mas que nunca foi publicada. D'Éon ficou paralisado após uma queda e passou os últimos quatro anos de cama, morrendo na pobreza em Londres em 21 de maio de 1810, aos 81 anos de idade.
Após a sua morte veio o fim do mistério de sua sexualidade, o cirurgião que examinou o corpo de d'Éon atestou em seu certificado post-mortem que o Chevalier tinha "órgãos masculinos em todos os aspectos perfeitamente formados", enquanto ao mesmo tempo exibia características femininas. Algumas características descritas no certificado foram "redondeza incomum na formação dos membros", bem como "mama notavelmente cheia".
Seu legado durou pouco tempo, sua história acabou sendo esquecida, mas Chevalier d'Éon foi realmente uma personalidade histórica única, livros foram escritos sobre ele, filmes e peças de teatro também, ele até apareceu no jogo Assassins Creed Unity.

13 de março de 2020

Conheça a história dos criminosos mais famosos do mundo #6 - Lúcio Flávio

Chegou a hora de mais uma parte de nossa nova série de matérias sobre a história real dos maiores criminosos que já viveram, aqueles que viraram lendas graças a seus crimes.
E se você gostar desse tipo de matéria deixe sua curtida em nosso facebook, e leia nossa outra série de matérias sobre pessoas que viraram lendas, os maiores guerreiros do mundo (tanto humanos quanto animais), é ler para crer. Bom, vamos lá.

Lúcio Flávio Vilar Lírio... tá bom, você pode não saber quem ele é, mas acredite, se você era um brasileiro nos anos 70 não tinha como não ouvir o nome dele nas rádios e ler sobre seus crimes nos jornais. Ele foi tanto um vilão quanto um herói que ajudou a acabar com a corrupção policial de sua época.
Lúcio Flávio nasceu em 1944 em uma família de classe média, sua mãe era uma simples professora e seu pai era funcionário público em Belo Horizonte. O cara antes de ser um criminoso não era ninguém, nem ao menos existem informações sobre a vida dele nessa época. Segundo o próprio criminoso seu pai trabalhou na administração de Juscelino Kubitchek no estado de Minas Gerais, ele era ligado ao Partido Social Democrático em 1974. Mas quando ocorreu o Golpe Militar, seu pai foi de político para alvo, e foi perseguido. Ainda segundo o criminoso, durante uma festa de casamento de familiares, agentes militares invadiram e agrediram os pais de Flávio, até mesmo jogando o rosto de seu pai no bolo.
Aos 24 anos de idade Flávio já tinha se cansado dessa vida política, e junto com alguns amigos próximos e parentes formou uma gangue para roubar carros, mas eles não eram tão bons assim. Já no ano seguinte eles foram descobertos e Flávio foi apontado como líder do grupo. E acredita-se que foi ao ser preso pela primeira vez que sua fama realmente começou.
Na cadeia foi descoberto que Flávio teria um QI de 131 pontos, o mais alto já registrado em uma penitenciária brasileira (o QI médio de um brasileiro é de 88 segundo algumas pesquisas). Isso sem contar que ele era na época considerado um galã, de cabelos loiros e olhos azuis ele era praticamente um ator de novela.
Mas Flávio não era esperto apenas no papel, pouco depois de ser preso ele fugiu e ainda por cima expandiu suas operações, de roubos de carros ele foi para roubos de bancos e joalherias. Em pouco tempo, e sem a polícia perceber, ele virou chefe da maior quadrilha do país inteiro. Ele tinha mais de 50 homens sob o seu comando divididos em grupos menores, cada um sob comando de algum membro de sua família.
Seus crimes ficaram famosos, mas não porque eles eram incríveis, mas sim pelo fato dele ser bonitão. O próprio Lúcio admitiu que ele ficou famoso por ser tratado como um "galã" pelos jornais, que não cobriam seus crimes de maneira correta, mas sim inventando coisas sobre ele para vender mais jornais, narrando seus crimes como aventuras de um personagem em quadrinhos.
Os jornais disseram que ele e seu bando uma vez assaltaram uma agência bancária bem em frente à Escola Superior de Guerra na Urca, que era um local muito patrulhado pelas Forças Armadas da cidade. Quando eles terminaram o roubo o gerente do local deu uma entrevista onde teria dito que os ladrões eram principiantes, porque eles roubaram apenas o dinheiro dos caixas mas deixaram os cofres intocados. Os bandidos leram isso e dias depois voltaram ao mesmo lugar, assaltaram o mesmo gerente e ainda fizeram ele carregar todo o conteúdo do cofre pro carro deles.
Lúcio era agora uma celebridade nacional, quando ele era preso ele dava entrevistas, enviava cartas para jornais, e o mais importante é que ele fazia várias delações, entregando pessoas que provavelmente nunca iriam para a cadeia se não fosse por ele, como por exemplo policiais corruptos dos chamados Esquadrões da Morte, que deram inicio as famosas milícias modernas.

 
As ações de Lúcio e seu bando eram consideradas "operações de guerrilha urbana" por vários grupos de esquerda contra a ditadura militar. O próprio criminoso se justificou dizendo "eu nunca roubei trabalhador, só roubo banco, que tem seguro e o dinheiro ali não é de ninguém", a imprensa foi a loucura e o trataram como um Robin Hood moderno. 
Por incrível que pareça foi o próprio Flávio que tentou dar um basta a essa idolatrização dele e seu grupo, ele assumiu todas as responsabilidades das ações de seu grupo e ainda disse, em uma tentativa de parar com essa adoração toda, "sou bandido porque gosto", e que seu maior objetivo era ficar rico e se aposentar, ou seja, seus crimes não tinham propósitos políticos.
Aos 30 anos de idade ele já tinha cometido crimes em 3 estados, fugiu 32 vezes de penitenciarias, uma vez de uma viatura que ainda estava em movimento e era procurado para responder mais de 530 inquéritos por roubos e assaltos.
Então como um cara tão famoso quanto esse conseguiu fugir tantas vezes? Simples, ele apenas subornava os policiais. Flávio disse que "os policiais, guardas e funcionários, com a mesma mão que exibem uma carteirinha de polícia recebem propinas para levarem armas e fazerem trapaças". Ele provavelmente conhecia esses policiais corruptos porque sua família ainda tinha laços com políticos, que era quem contratavam eles em primeiro lugar.
Lúcio também era conhecido por não matar ninguém, algo raro em épocas em que Esquadrões da Morte eram comuns. Foi dito que ele assassinou apenas uma pessoa em 1969, um membro de sua própria gangue que provavelmente teria tentado trair Lúcio.
Lúcio Flávio. porém. nunca foi visto como uma pessoa ruim, e ele mesmo era contra policiais serem corruptos, ele chegou a dizer que "polícia é polícia, bandido é bandido, não devem se misturar igual água e azeite". Ele então decidiu que ele mesmo acabaria com esses policiais. Certa vez após uma de suas fugas ele enviou uma carta para um jornal nomeando todos aqueles que ajudaram ele a escapar, o que causou a substituição do diretor do presídio onde ele estava e irritou muitos policiais, que passaram a ver Lúcio como uma ameaça ao seu império criminoso.
Lúcio também foi testemunha chave em investigações contra Esquadrões da Morte, isso resultou na condenação de diversos policiais. O cara também era a única testemunha de um caso de assassinato contra Mariel Mariscot, um policial brasileiro conhecido por seu estilo de vida playboy, que namorava atrizes famosas de dia e cometia assassinatos de noite. Mas dessa vez Flávio não iria testemunhar.
Em 1975 apenas dois meses antes do julgamento os policiais decidiram que já tinham se cansado de Lúcio, que foi encontrado em sua cela morto com 19 facadas. Foi dito que ele havia sido assassinado por seu colega de cela, que curiosamente também foi morto pouco tempo depois.
Mas a fama de Lúcio ainda não tinha acabado, nessa época ele era praticamente um personagem do folclore brasileiro, e em 1975, José Loureiro escreveu um livro sobre a vida do criminoso, que serviu de inspiração para o filme de 1978 "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia", que foi um dos maiores sucessos brasileiros de bilheteria. Como o filme mostrava "a verdade" sobre a polícia da época ele quase foi censurado por inteiro.
E esse sim foi o fim de Lúcio Flávio, um dos nomes mais importantes da luta contra a brutalidade policial, mas que nem é lembrado hoje em dia.

Não deixe de curtir o nosso facebook em Real World Fatos para ler mais matérias como essa.