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5 de janeiro de 2018

Os maiores guerreiros do mundo animal #4

Guerreiros são feitos de coragem, não importa a idade, raça, e nem mesmo a espécie, existem muitos animais por aí que são heróis de guerra. Confira mais alguns dos maiores guerreiros do mundo animal, e se você preferir humanos, veja os maiores guerreiros do mundo bem aqui.

Domínio público
Não precisa ser um cão para se tornar um herói de guerra, mas o que um gato pode fazer no campo de batalha? Ele não pode morder igual os cães, os soldados não podem atear fogo em seu pelo igual os macacos, e ele nem ao menos serve para servir de alvo para treinos, então o que ele faz? Simples, ele caça ratos.
Pfc. Hammer é um simples gatinho nascido no meio da guerra do Iraque, um dia ele acabou entrando na tenda de soldados americanos, normalmente eles se livrariam do gato ali mesmo, mas alguém preferiu tomar outro caminho. Os dois irmãos de Hammer fugiram mas ele resolveu fazer da sede local o seu novo lar.
Segundo os soldados o trabalho de Hammer era simples porém muito importante, ele tinha a habilidade de afastar ratos das tendas e principalmente da cozinha, se um roedor acabasse infectando a comida, vários soldados ficariam fora da guerra por muito tempo, tempo o suficiente para eles perderem as batalhas.
Hammer foi adotado oficialmente e durante bombardeios um dos soldados "guardava" ele dentro de seu colete para maior proteção. O gato também tinha outra profissão, ele era um "animal de stress" ou seja, ele ajudava a desestressar os soldados e prevenir problemas mentais.
Hammer nunca foi condecorada porque animais do exército não são mais considerados seres vivos como no passado, eles agora são "equipamento militar", isso também queria dizer que quando os soldados voltassem para casa, ou eles teriam de abandonar o gato ou matá-lo. Pensando nisso o Sgt. Rick Bousfield mandou um e-mail a uma organização protetora dos animais chamada Alley Cat Allies pedindo ajuda a eles, ele queria que o gato voltasse aos E.U.A junto com o resto da tropa. A organização achou o e-mail comovente e resolveu ajudar, eles se juntaram a outra organização chamada Military Mascots e com o dinheiro de doações e seu próprio fundo monetário eles pagaram todas as despensas para trazer o gato, até mesmo as médicas, mesmo assim o gato teve de ser castrado no Kuwait e também vacinado antes de voltar de avião.
Hoje Hammer vive com a família de Bousdield e 5 outros gatos, eles não se deram bem no começo mas agora parece que o gato finalmente arranjou um lar de verdade.

29 de maio de 2021

Os maiores guerreiros do mundo animal #5

Quem disse que a coragem é exclusiva dos humanos? Existem muitos animais por aí que deixam as pessoas para trás quando o quesito é ser um herói.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros do mundo animal nessa aclamada série de matérias. E se você não gostar de animais ou estiver curioso, clique aqui e veja os maiores guerreiros humanos que já viveram.

Domínio público
Cher Ami não foi o único pombo a fazer fama na guerra, conheça G.I Joe, o pombo correio que salvou a vida de mais de 1000 soldados durante a Segunda Guerra Mundial.
Não existem muitas informações sobre o passado de Joe, naquela época usar pombos correios era muito comum e eles não perdiam tempo catalogando todos eles porque a maioria iria morrer ou se perder. O pombo de rosto branco tinha uma missão simples, ele ia para a guerra com os soldados e se eles precisassem mandar uma mensagem para a base eles soltavam o pombo com um bilhete. Ao contrário do que muita gente acredita pombos correios só entregam mensagens para um lugar, eles não vão para qualquer lado.
Tudo ia relativamente bem na vida de Joe, que embora fosse americano estava no regimento britânico, que por sua vez estava eliminando os nazistas-fascistas da Itália, eles faziam um bom trabalho, talvez bom até demais.
Durante a Campanha italiana da Segunda Guerra Mundial, G.I. Joe estava indo para a Vila de Calvi Vecchia, na Itália, com as tropas britânicas da 56ª Divisão de Infantaria (Londres), os faci-nazistas estavam ocupando o lugar e mais de 1.000 soldados aliados foram enviados para recuperar e libertar a vila. O problema é que como medida de segurança os americanos planejavam bombardear a vila caso os ingleses perdessem a batalha.
Os yankees aparentemente não tinham fé nos britânicos, antes mesmo da batalha terminar eles já tinham autorizado o bombardeio para a vila, mas no último instante os ingleses venceram, e eles libertaram a vila, na verdade o que aconteceu é que os alemães fugiram mais cedo do que o esperado. Rapidamente eles foram avisar os americanos para não jogar as bombas já que agora a cidade estava livre de nazistas... mas seu rádio estava morto.
Agora havia batido o desespero, os americanos iam bombardear 1.000 de seus próprios aliados achando que eles eram nazistas, a única esperança do povo era aquela ave rechonchuda de penas claras.
Uma mensagem para parar o bombardeio foi amarrada em G.I Joe, que agora tinha de voar para sua base mais rápido do que os aviões americanos voariam para a vila onde estavam os soldados. Para a surpresa de todos os envolvidos o pombo conseguiu voar 32 Km (20 milhas) em apenas 20 minutos, é como se ele soubesse que todos os soldados morreriam caso ele falhasse. O plano funcionou, o bombardeio foi cancelado e a ave salvou sozinha a vida de mais de 1.000 soldados aliados.
Em 4 de novembro de 1946, G.I. Joe recebeu a Medalha de Dickin por Galanteria Animal dada pelo major-general Charles Keightley na Torre de Londres, a citação o credita com o voo mais excepcional feito por um pombo do Exército dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. G.I. Joe era o 29º e o primeiro receptor não-britânico da medalha.
Depois da guerra todos concordavam que o pombo merecia uma aposentadoria, ele foi alojado no Churchill Loft do exército dos EUA em Fort Monmouth, em Nova Jersey, juntamente com outros 24 pombos heroicos. Ele morreu nos Jardins Zoológicos de Detroit aos 18 anos, ele foi empalhado para ser exposto no Museu de Eletrônica das Comunicações do Exército dos EUA em Fort Monmouth, onde todos poderiam saber de sua magnifica história.

13 de agosto de 2020

Os maiores guerreiros do mundo animal #9

De cães e gatos, até macacos, burros e elefantes, não existe um animal que possa ser adestrado que não tenha sido usado por humanos em suas guerras, mas alguns desses bichinhos se superaram no quesito habilidade e entraram para a história como grandes guerreiros, confira agora a história de mais alguns deles.
E caso goste da matéria clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte (incluindo guerreiros humanos). E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policiais) do mundo, clicando aqui.

Attributed to Louise Hollandine of the Palatinate, Domínio público, via Wikimedia Commons
Vamos começar com Boy, ou Pudol, ou Boye, ou Puddle, bom... o cachorro tinha muitos nomes isso é certo, mas sua vida entrou para a história e você vai ler ela agora.
Para ficar mais fácil de entender vamos chamar o cachorro apenas de Boy, ele era um poodle branco que foi dado de presente ao famoso guerreiro Rupert do Reno (cuja vida nós já cobrimos na matéria "Os maiores guerreiros do mundo #9" caso você queira ler ela também). 
Boy foi dado ao ex-príncipe Rupert quando este foi preso na fortaleza de Linz durante a Guerra dos Trinta Anos. O conde de Arundel, um inglês que se tornou amigo do carismático Rupert, deu a ele o animal para lhe fazer companhia durante o confinamento. O cão era de uma raça rara de poodle branco de caça, na verdade provavelmente haviam dois poodles, um preto e um branco. O preto foi perdido no início da guerra, foi o sobrevivente branco que se tornou uma lenda. Como já vimos o cão era chamado por muitos nomes, mas principalmente de Boy, ou "Garoto", embora, curiosamente, ele talvez fosse fêmea. 
Onde quer que Rupert fosse, Boy o seguia bem de perto, incluindo pra guerra, o cão tinha visto mais morte e corpos do que muitos humanos, mas continuava leal a Rupert.
A fama de Boy era tanta que propagandas da época diziam que Rupert era um bruxo e que Boy era seu familiar, um cachorro bruxo que pegava balas com a boca e tinha poderes de magia negra que ele usava para ganhar suas batalhas, alguns até diziam que ele era o Diabo disfarçado. Tudo baboseira, mas Boy era suficientemente impressionante e famoso em toda a Europa, tanto que o sultão otomano da época, Murad IV, solicitou que seu embaixador tentasse encontrar para ele um animal semelhante ao poodle.
Com o passar dos anos a fama de Boy só crescia, ele agora não era só um cão bruxo, ele também era uma mulher que havia sido transformada em cão, podia encontrar tesouros, era invulnerável a ataques inimigos, era vidente e podia mudar de corpo igual um metamorfo.
Se o cão pudesse ler ele provavelmente se mataria de dar risada, toda essa fama fez com que os soldados reais promovessem Boy, de um simples mascote militar adotado, para o posto de sargento-major-general.
Alegadamente, Boy tinha outros atributos carinhosos, como inclinar a perninha quando ouvia o nome de John Pym, líder das forças parlamentares. Ele também teria se apresentado para Charles I, dormido na cama do príncipe Rupert e brincado com os príncipes Charles, James e Harry e a princesa Henrietta, e muitas vezes era alimentado com rosbife e peito de frango capão pelo próprio Rei Charles I.
Pelo que se sabe Boy era um cão feliz que tinha uma boa vida, mas a guerra não poupa ninguém, Boy morreu durante a Batalha de Marston Moor em 1644. Ele havia sido deixado em segurança no campo monarquista, mas escapou e foi atrás de seu dono, que ele sempre seguia. A batalha foi mal para os realistas, e Rupert foi forçado a fugir do campo, Boy foi morto durante a luta que se seguiu, provavelmente por um tiro. No fim a morte de Boy foi o que roubou a cena, ninguém ligava para os soldados apenas para o cão bruxo, ele foi representado com destaque em cenas em xilogravuras desenhadas na batalha na época, deitado de cabeça para baixo, morto. Simon Ash, historiador contemporâneo do evento, chamou atenção específica à morte desse cão "muito falado".
Hoje poucos conhecem a história de Boy, mas ele foi registrado como o primeiro cão oficial do exército britânico, um cargo que vai ficar para sempre na história do mundo. 

11 de setembro de 2021

Os maiores guerreiros do mundo animal #7

No mundo sempre existiram guerras, e quando humanos entram em guerra você pode apostar que eles vão levar todo mundo com eles, isso inclui cães, macacos, elefantes, gatos e tudo que eles conseguirem adestrar.
E como alguns desses animais de guerra entraram para a história devido a sua bravura extraordinária, nada mais justo do que recontar as suas histórias aqui.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros animais que já viveram, e se você quiser conhecer os guerreiros humanos dessa lista, clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte.

Duck. Original public domain image from Flickr, RawPixel
Vamos começar com Siwash, o pato marinheiro. O Primeiro Batalhão do Décimo Regimento Marinho conseguiu adquirir um pato chamado Siwash como seu mascote oficial. Supostamente um fuzileiro naval ganhou o patinho em um jogo de pôquer na Nova Zelândia e ao invés de comê-lo decidiu fazer dele um animal de estimação. 
Siwash se adaptou bem a vida de marinheiro, ele até mesmo bebia cerveja e dividia refeições com os outros fuzileiros, quando chegou a guerra ele acompanhou eles até a Batalha de Tarawa em 1943, onde o animal se envolveu em um combate corpo-a-corpo com um inimigo, um galo japonês. Uma citação foi publicada na revista LIFE um ano depois:
"Por ação corajosa e feridas recebidas em Tarawa, nas Ilhas Gilbert, em novembro de 1943. Com total desrespeito por sua própria segurança pessoal, Siwash, ao chegar à praia, sem hesitação, enfrentou o inimigo em um combate feroz, a saber, um galo de ascendência japonesa. E embora ferido na cabeça por repetidas bicadas, ele logo derrotou a oposição. Ele recusou ajuda médica até que todos os membros feridos de sua seção tivessem sido cuidados."
Após a guerra o trabalho de Siwash ainda não havia acabado, ele passou a trabalhar como recrutador oficial do exército para a guerra das Coréias, ajudando a encher os rankings do exército um pouquinho de cada vez.
Siwash foi referido como "ele" durante a guerra mas foi referido como "ela" depois de sua aposentadoria, quando ela foi mandada ao zoológico Lincoln Park. É possível que os soldados sabiam que o pato era fêmea, mas eles tiveram de esconder seu gênero para que ela pudesse servir.
Siwash viveu até 1954, quando morreu de uma doença no fígado 11 anos depois de se juntar aos fuzileiros. De acordo com o obituário da pata, a morte dela não tinha ligação com o "gosto pela cerveja". 
Um funeral foi realizado na loja de um taxidermista em homenagem ao animal.

19 de dezembro de 2016

Os maiores guerreiros do mundo animal

Você já conheceu os maiores guerreiros do mundo, mas animais também participam de guerras o tempo todo, e alguns deles se sobressaem e ganham o coração de muita gente através dos anos, inspirando as pessoas com sua bravura e coragem. 
Agora você vai conhecer alguns deles, então confira e se entretenha conosco.

Domínio público. Defense Visual Information Distribution Service
Cher Ami é com certeza a pomba mais famosa do mundo, seus feitos na Primeira Guerra Mundial são contados até hoje. Tudo começou quando a jovem pombo-correio foi doado pelos britânicos aos americanos, para que eles a usassem enquanto estivessem em solo francês, usar pombos para levar mensagens era comum, mas ninguém esperava que Cher Ami fosse fazer tanta diferença.
Em 3 de outubro de 1918 o Major Charles White Whittlesey e mais de 500 de seus soldados ficaram presos em uma pequena depressão ao lado de uma colina atrás de linhas inimigas sem comida ou munição. Tropas aliadas não sabiam que eles estavam ali e começaram a abrir fogo e matar alguns deles, eles estavam cercados por todos os lados tanto pelos inimigos quanto por fogo-amigo. No final do primeiro dia apenas 190 homens haviam sobrevivido, eles com certeza seriam dizimados no segundo, o Major mandou um pombo-correio com uma mensagem de socorro para a base, mas o pombo foi atingido e morreu, ele tentou novamente e o outro pombo também morreu. Agora havia sobrado apenas uma salvação, uma jovem pomba de penas brilhantes chamada Cher Ami.
A mensagem amarrada a Cher Ami lia o seguinte: "Estamos ao longo da estrada paralela (sic) para 276,4. Nossa própria artilharia está derrubando uma barragem diretamente sobre nós. Pelo amor de Deus, pare". A pomba de guerra era a última salvação dos soldados, mas quando ela alçou voo ela também foi atingida por um tiro, mas para a surpresa geral ela voltou a voar.
Ela voou por 40 Km em 25 minutos, e conseguiu levar a mensagem ao quartel, salvando a vida de 194 homens no total. Cher Ami havia sido atingida no peito, ficou cega de um olho e perdeu uma perna, mas ela completou sua missão.
Cher tornou-se a heroína da 77ª Divisão de Infantaria. Médicos do exército trabalharam para salvar sua vida. Eles também esculpiram uma pequena perna de madeira para ela. Quando ela se recuperou o suficiente para viajar, o pássaro de uma perna foi colocado em um barco para os Estados Unidos, com o General John J. Pershing. Nos E.U.A Cher Ami recebeu a Medalha da Croix de Guerre junto com o Pacote de Folhas de Carvalho de Palma por seu heroico serviço ao entregar 12 mensagens importantes em Verdun.
Ela morreu em Fort Monmouth, Nova Jersey, em 13 de junho de 1919, das feridas que recebeu em batalha e foi mais tarde induzida no Pigeon Racing Hall of Fame em 1931. Ela também recebeu uma medalha de ouro dos Organized Bodies of American Racing Pigeon Fanciers em reconhecimento ao seu extraordinário serviço durante a Primeira Guerra Mundial.
Seu corpo foi empalhado, sua história mostrada em diversos museus e Cher Ami, que significa "Querido Amigo" em francês, nunca será esquecida por seus feitos.

13 de novembro de 2018

Os maiores guerreiros do mundo animal #6

Animais podem ser tão corajosos quanto o mais valente dos humanos, muitos já deram suas vidas em guerras ao redor do mundo, mas alguns tiveram feitos tão legendários que eles entraram para a história.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros animais que já viveram, e se você quiser conhecer os guerreiros humanos dessa lista, clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte.

FOTO:FORTEPAN / Schmidt Albin, Domínio público, via Wikimedia Commons
Conheça Jimmy The Donkey, ou Jimmy o Burro, sua história não é muito famosa mas ela já foi contada várias vezes através dos anos, o problema é que agora quase ninguém sabe o que é verdade e o que não é, mesmo assim vamos contá-la do melhor jeito possível.
Acredita-se que Jimmy "O Sargento" nasceu na França, bem no meio de uma guerra, isso depois que uma bomba feriu sua mãe grávida fazendo com que ela entrasse em trabalho de parto durante a Batalha do Somme em 1916. Tropas trouxeram o burro a vida em meio a bombas e tiros na linha de frente e o desmamaram em latas de leite condensado.
Os soldados acabaram se apegando a Jimmy e ele foi "adotado" pelo exército. Jimmy passou os dois anos seguintes carregando equipamento e soldados de um lado pro outro, e foi até ensinado a levantar a cabeça e sua patinha em saudação. O burrinho participou de algumas batalhas da Primeira Guerra Mundial durante esse período, mas a guerra não era brincadeira e Jimmy foi atingido pelo menos 3 vezes por bombardeios, mesmo assim ele sempre se levantava e continuava com seu serviço.
Graças a sua coragem Jimmy foi promovido a Sargento e ganhou 3 faixas que mostravam o seu serviço prestado.
Agora com a tropa de Fuzileiros Escoceses Camaroneses. Jimmy foi premiado com a Medalha Dickin por bravura, a mais alta honra militar de um animal, pelo Museu Cameronian, em Hamilton, na Escócia. 
Sam Morrell, membro da Associação Regimental dos Rifles Escoceses da Camerônia e historiador da guerra, disse: "Jimmy desempenhou um papel importante em manter a moral das tropas, mesmo que ele apenas agisse como uma distração do horror do que estava ao seu redor".
Em 1920 ele foi para Peterborough, onde os escoceses da República dos Camarões ficaram brevemente baseados antes de retornar à Escócia. Mas antes dos soldados partirem, Jimmy foi vendido em um leilão de caridade para uma mulher conhecida apenas como Sra. Heath, de Peterborough, Cambridgeshire.
Ao longo dos próximos 23 anos Jimmy participou de uma série de eventos de caridade, levantando milhares de libras para a RSPCA (uma organização criada para a proteção dos animais), incluindo passeios de burro para crianças ao longo da praia da cidade. Pode não ser o melhor emprego mas era melhor do que morrer na guerra.
Após sua morte, ele foi enterrado no Central Park de Peterborough em 1943 e um monumento foi erguido em sua homenagem. O túmulo caiu no esquecimento, mas foi restaurado em 2003.
Jimmy não é muito conhecido ao redor do mundo mas ele é famoso em Cameronian, tanto que ele foi homenageado como parte de uma exposição no Museu Cameronian em Hamilton.

18 de janeiro de 2021

Os maiores guerreiros do mundo animal #10

De cães e gatos, até macacos, burros e elefantes, não existe um animal que possa ser adestrado que já não tenha sido usado por humanos em suas guerras, mas alguns desses bichinhos se superaram no quesito habilidade e entraram para a história como grandes soldados, confira agora a história de mais alguns deles.
E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policiais) do mundo, clicando aqui.

not stated, Domínio público, via Wikimedia Commons
Vamos começar com Lizzie, a Elefanta de Guerra que ajudou em muito na Primeira Guerra Mundial. A elefanta provavelmente nasceu em uma ménagerie itinerante inglesa que pertencia a William Sedgwick. Mas o que é uma ménagerie? "Ménagerie" é uma palavra francesa usada para designar uma coleção particular de animais vivos em cativeiro, geralmente selvagens e exóticos, seria então uma mistura de zoológico com circo.
Sua vida era a de qualquer elefante circense, mas quando a Grande Guerra estourou a pobre elefanta viu seu futuro indo pelo ralo. Circos e shows itinerários em geral tiveram de começar a seguir várias regras novas devido as batalhas, isso levou muitos desses shows a serem completamente cancelados, levando os animais a serem executados ou indo parar na guerra. Lizzie acabou indo trabalhar em uma espécie de ferro velho, sendo usada para transportar sucatas, já que os cavalos do local tinham sido requisitados pelo exército. Segundo relatos da época seu novo dono ficou muito feliz com o animal, que tinha a força de no mínimo 3 cavalos.
Além de sucatas Lizzie também transportou máquinas em torno de Sheffield para apoiar o esforço que a indústria siderúrgica estava comprometendo com a guerra, tornando Lizzie uma recruta de guerra não-oficial. A elefanta estava abrigada perto da fábrica, no que é agora o edifício Hancock and Lant, em Ladies Bridge, e se tornou muito famosa na cidade, virando uma espécie de atração do local. A elefanta era tão boa em seu trabalho que ela passou a carregar munições ativas de um canto para o outro da cidade.
Foi relatado que ela era capaz de remover e carregar grandes quantidades de material, sendo a maior delas de 28 toneladas em 6 viagens da estação para as empresas nas quais trabalhava. No começo os cavalos do local não foram com a cara da elefantinha, chegando a correr de medo dela, mas algum tempo depois todos passaram a se dar bem.
Embora alimentada com rações diárias que consistiam em dois baldes de milho misturados com meio fardo de feno, Lizzie tornou-se conhecida rapidamente como uma grande comedora na cidade, uma vez ela até mesmo roubou a maçã do bolso de um homem sem que ele notasse, divertindo as pessoas ao seu redor. Sua fama cresceu e as pessoas passaram a querer alimentar a elefanta, tanto que uma vez um homem deu a Lizzie uma cesta inteira de batatas, o que levou a elefanta a confrontá-lo pouco tempo depois, com a mesma cesta, agora vazia, como se ela dissesse "eu quero mais disso aqui". Ela não apenas roubou comida, como também teria comido um chapéu de um estudante.
Depois de um tempo a Grande Guerra acabou, Lizzie conseguiu passar por ela toda sem sofrer nenhum grande ferimento. Mas o que aconteceu depois da guerra é um mistério, como a elefanta desapareceu dos holofotes ninguém sabe ao certo o que aconteceu, algumas fontes dizem que ela continuou trabalhando com sucatas, outra diz que ela voltou ao seu dono original na ménagerie, e outra diz ainda que suas patas ficaram machucadas de tanto andar na cidade e a elefanta se aposentou, possivelmente indo parar em um zoológico. De qualquer jeito o que se sabe é que a indústria siderúrgica de Sheffield foi fundamental para o esforço de guerra do país e foi Lizzie quem garantiu que as fundições e fornos da cidade tivessem os suprimentos necessários. Sem ela, a produção podia ter sido severamente prejudicada e a guerra poderia ter tido um fim diferente na cidade londrina.

22 de novembro de 2017

Os maiores guerreiros do mundo #4

Guerras e suas histórias vão sempre ficar na memória das pessoas, e junto com elas vem os guerreiros, e alguns são muito mais famosos do que outros devido aos seus feitos heroicos e habilidade excepcional.
Confira a quarta parte dessa série de matérias, e se você quiser ver os maiores guerreiros do mundo animal, clique aqui.

Domínio público
Você não pode fazer uma lista dos maiores guerreiros sem mencionar o incrível monarca do reino Zulu, Shaka’ kaSenzangakhona, mais conhecido como Shaka Zulu.
Nascido em 1787 Shaka era na verdade o filho do chefe do clã Zulu, mas como ele era ilegítimo ele teve de morar com sua mãe, seu irmão foi quem acabou assumindo o lugar de chefe quando seu pai morreu.
Ao atingir a adolescência, Shaka seguiu os costumes dos Mtetwa, e juntamente com os outros rapazes da sua idade integrou o regimento do exército da tribo. Shaka se mostrou um ótimo guerreiro mas não foi só isso que o fez famoso, ele também era muito esperto e quando se tornou o chefe ele revolucionou completamente o exército da tribo, ele introduziu novas táticas de combate, novas armas mais fáceis de manusear e uma nova formação conhecida como "Chifre de Touro", que era uma tática que visava tanto ataque quanto defesa, ela era tão boa que virou a formação padrão dos Zulus pelos próximos 90 anos, naquela época as guerras eram travadas a distância mas Shaka preferia o combate corpo-a-corpo. No começo ele não tinha muita influência e nem respeito das tribos rivais, mas com o tempo isso mudou drasticamente.
Como se isso não bastasse ele provou que não era um guerreiro comum que só pensava em sangue, naquela época crianças de até 6 anos já podiam ir a guerra, mas Shaka preferia manter elas como aprendizes, segundo relatos ele também preferia conversar e fazer acordos com tribos inimigas do que partir para a batalha.
Shaka era tão bom que ele resolveu que queria ser o chefe oficial dos Zulus, e para isso matou seu próprio irmão (com a ajuda de um outro irmão). O que Shaka fez não era exatamente "legal" pelas regras da tribo, mas como ele fez um "golpe de estado" sem derramar muito sangue ele ganhou o respeito dos outros e virou o "rei" oficial, algumas fontes ainda dizem que Shaka teria matado sua própria mãe no processo, mas na verdade ela morreu de desinteira anos depois.
Agora seu exército era ainda mais poderoso do que nunca, eles lutavam com armas simples: lanças, escudos de couro, um porrete para arremessos e, se tudo isso falhasse, eles ainda tinham o "cuspe de veneno", uma substância tóxica encontrada numa erva que era mastigada pelos guerreiros de Shaka, que a cuspiam no rosto dos inimigos durante os combates, causando grande irritação nos olhos deles. O Rei Zulu era imparável, ele dominou diversos territórios de tribos rivais e seu domínio ficou 12 vezes maior do que ele era antes, e ele também era muito vingativo. Quando seu amigo Dingiswayo foi morto pelo chefe de uma tribo rival, Shaka pegou a mãe desse chefe e acorrentou ela em uma casa junto com chacais e hienas que a devoraram viva, na manhã seguinte ele queimou a casa, o chefe rival só seria morto por Shaka muito tempo depois.
As outras tribos não eram mais uma ameaça a Shaka mas ele iria encontrar um inimigo nunca visto antes: homens brancos. Naquela época europeus estavam invadindo a África para escravizar os negros. Acredita-se que Shaka primeiramente encontrou os britânicos, que deram remédios para Shaka e seu povo, os dois lados se tornaram amigos e o Zulu deu terras para eles como forma de agradecimento, ele também permitiu que eles tivessem acesso a tribo, graças a isso os europeus fundaram a cidade de Port Natal. 
Mas a segunda vez que Shaka se deparou com brancos não foi tão amigável, os europeus queriam transformar os guerreiros em escravos e por isso eles entraram em guerra, mas mesmo os europeus tendo armas de fogo e os africanos usarem apenas lanças e escudos, eles mataram o chefe dos invasores e 70 de seus homens, na segunda batalha eles perderam e recuaram, mas no fim os europeus foram movidos para outro lugar.
Tudo ia bem para para o Rei Zulu, mas a tragédia ia acontecer. Em outubro de 1827 a mãe de Shaka morreu de disenteria, e ele ficou completamente louco com a perda, literalmente louco, ele mandou que os Zulus entrassem em um período de luto por três meses. Shaka ordenou que não fossem plantadas colheitas durante o ano seguinte ao luto, não se usasse leite (a base da dieta Zulu na época), e qualquer mulher que engravidasse deveria ser morta junto com seu marido. Pelo menos 7.000 pessoas foram executadas porque elas não "estavam tristes o suficiente" com a morte da mãe dele, até algumas vacas foram abatidas para que seus bezerros soubesse como era perder uma mãe.
Obviamente Shaka não podia mais governar devido ao seu estado mental, por isso em 24 de setembro de 1828 Shaka foi assassinado por seus dois meios-irmãos e um terceiro assassino aos 41 anos de idade. Um fim trágico para o grande guerreiro.
Depois de sua morte seu meio-irmão Dingane assumiu o trono, ele encontrou alguns problemas mas resolveu eles, e os Zulus continuaram usando os ensinamentos de Shaka por vários anos. 
E o ex-Rei Zulu será sempre lembrado devido a sua importância histórica e suas grandes táticas de batalha, já escreveram livros sobre ele, fizeram séries de TV sobre ele, filmes e até música, ainda hoje ele é considerado o mais importante Zulu da história. E o que aconteceu com sua tribo? Eles estão bem vivos até hoje, existem cerca de 11 milhões de Zulus espalhados pela África e pelo menos alguns deles ainda devem estar contando a lenda de Shaka para seus descendentes tribais.

15 de julho de 2023

Os maiores guerreiros do mundo animal #3

Guerreiros vem em todos os sexos, cores, tamanhos e espécies, por aí existem muitos animais que fizeram coisas incríveis e ganharam o respeito do público. Confira agora mais alguns dos maiores guerreiros animais que o mundo já viu, mas se você preferir ler sobre os maiores guerreiros humanos de todos os tempos, clique aqui.

Domínio público
Rags, esse é o nome desse pequeno herói da raça Terrier, sua história é importante porque ele se tornou um dos primeiros cães soldados da Primeira Guerra Mundial.
Rags foi encontrado abandonado nas ruas de Paris por um americano, o soldado James Donovan, um Especialista do Corpo de Sinalização que servia com a 1ª Divisão de Infantaria dos EUA. Donovan chamou o cão de Rags ("Trapos"), porque quando o encontrou pela primeira vez ele o confundiu com uma pilha de trapos. Donovan tinha marchado no desfile do dia da Bastilha e estava atrasado. Para evitar estar ausente sem licença, Donovan mentiu à Polícia Militar e disse que Rags era o mascote desaparecido da 1ª Divisão de Infantaria e que ele fazia parte de um grupo de busca que estava procurando o cachorro. Ao retornar à sua unidade, Donovan escapou do castigo e ainda foi autorizado a manter Rags como seu mascote.
O trabalho do novo dono de Rags na linha de frente foi o de comunicação, para isso ele também teve que reparar os fios de campo telefônicos que tinham sido danificados por fogo de artilharia. O trabalho era perigoso, só tinha uma rota para trocar as linhas, e os inimigos sabiam disso, por isso quase todos os comunicadores morriam, foi então que Donovan teve uma ideia genial, ele treinou Rags para levar mensagens em sua coleira.
Em julho de 1918, Rags e Donovan e uma unidade de infantaria de 42 homens foram cortados e rodeados por alemães inimigos. Rags era a única salvação dos soldados e ele não deixou a desejar, levando de volta uma mensagem sua coragem resultou em uma barragem de artilharia e reforços que resgataram o grupo, a bravura de Rags se espalhou pela infantaria.
Em setembro de 1918, Rags e Donovan estavam envolvidos na campanha americana final da guerra. Rags realizou uma série de trocas de mensagens e em 2 de Outubro de 1918, salvando a vida de centenas de soldados.
Rags também aprendeu a avisar os soldados que bombas estavam chegando ao se deitar e "agarrar" o chão com suas patas, ele aprendeu isso apenas observando os soldados, ele também sabia saudar colocando sua pata na cabeça e, claro, ele sabia pedir petiscos, muitos lugares já até deixavam uma vasilha com água para ele beber caso ele visitasse o lugar.
Em 9 de Outubro de 1918, Rags e Donovan foram as vítimas de fogo de artilharia e gás alemães. Rags teve sua pata dianteira direita, orelha direita e olho direito machucados por lascas de bombas, e também foi levemente gaseado. Donovan foi mais gravemente ferido. Os dois foram mantidos juntos e levados de volta para uma estação, em seguida, vários hospitais diferentes. Como Rags era um cão muitos não gostaram do tratamento especial que ele estava recebendo, mas sempre que eles reclamavam eles eram informados que as ordens vinham de seus superiores. O cão foi rapidamente curado após um tratamento excelente. A saúde de Donovan, no entanto, piorou e ambos foram devolvidos aos Estados Unidos. 
Rags teve de ser "traficado" para um trem e um navio, Donovan continuou no hospital e Rags ganhou uma nova coleira que dizia "Rags da 1° Divisão".
Tragicamente o dono de Rags não se recuperou e morreu em 1919, deixando Rags como o mascote da sede onde ele estava ficando durante o tratamento, até que em 1920 o Major Raymond W. Hardenbergh, sua esposa e duas filhas chegaram a Fort Sheridan. A família e Rags logo se entrosaram e adotaram o cão. Rags se tornou uma celebridade Nova Yorkina com vários artigos escritos em sua homenagem, também conheceu políticos e soldados do alto escalão.
Rags faleceu com incríveis 20 anos de idade e foi enterrado com todas as honras militares e um memorial foi erguido em sua homenagem.

13 de novembro de 2019

Os maiores guerreiros do mundo animal #8

Cães, macacos, elefantes e gatos, se humanos podem adestrar você pode apostar que eles vão força-los a lutar em suas guerras. E como alguns desses animais entraram para a história devido a sua bravura extraordinária, nada mais justo do que recontar as suas vidas aqui no nosso site.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros animais que já viveram, e se você quiser conhecer os guerreiros humanos dessa lista, clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte.
E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policias) do mundo, clicando aqui.

Raymond Okonski / Bamse / CC BY-SA 2.0
Conheça Bamse, um cão da raça São Bernardo que se tornou o heroico mascote das Forças Livres da Noruega durante a Segunda Guerra Mundial. Na verdade ele foi além, ele se tornou um símbolo da própria liberdade norueguesa durante a guerra.
O cão foi comprado em Oslo, na Noruega, por Erling Hafto, o capitão do navio caçador de baleias Thorodd. Hafto queria transformar o animal em um cão marinheiro e desde cedo o levou a bordo de seu navio. O filhote foi então nomeado Bamse, que significa algo como "Urso de Pelúcia".
Em suas memórias de infância, a filha do Capitão Hafto, Vigdis, lembra-se que Bamse já nasceu um cão naturalmente gentil e que ele cuidava das crianças enquanto elas brincavam.
Tudo estava indo bem para o jovem filhote, mas como sempre Hitler tinha de estragar tudo. No início da Segunda Guerra Mundial o navio Thorodd foi convocado para a Marinha Real Norueguesa como um navio de patrulha costeira, Bamse foi então inscrito como membro oficial da tripulação em 9 de fevereiro de 1940. 
Após a invasão nazista da Noruega em 9 de abril de 1940 o Thorodd fazia parte da oposição naval contra os alemães, ele tinha como um dos seus usos o transporte de prisioneiros de guerra. O navio acabou servindo como um "caçador de minas" depois de ser um dos 13 navios que conseguiu fugir para o Reino Unido quando os nazistas atacaram de vez.
Bamse, assim como muitos outros mascotes de guerra, servia para erguer a moral da tripulação do navio, mas ele também mostrava seu valor de outras maneiras. Em batalha ele ficava na torre da frente do navio, por isso a tripulação fez pra ele um capacete especial de metal que cabia em sua cabeça. Seus atos de heroísmo durante esse tempo incluíram salvar um jovem tenente-comandante que fora atacado por um homem empunhando uma faca, ao empurrar o atacante para o mar, e arrastar de volta à praia um marinheiro que havia caído no oceano.
Ele também era conhecido por separar brigas entre seus colegas de equipe, colocando as patas nos ombros deles, acalmando-os e depois levando-os de volta ao navio. 
Uma das tarefas mais incríveis de Bamse na Escócia, porém, era reunir sua tripulação e escoltá-los de volta ao navio a tempo para o dever ou o toque de recolher. Para fazer isso, ele viajou nos ônibus locais desacompanhado, a tripulação comprou para ele um passe de ônibus que ficava preso em sua coleira. Bamse ia até o ponto de ônibus na Broughty Ferry Road e pegava o ônibus até Dundee. Ele descia na parada de ônibus perto do bebedouro favorito de sua equipe, o Bar Bodega, e ia buscá-los. Se ele não pudesse localizar seus amigos, ele pegaria o ônibus de volta à base sozinho.
Devido aos seus atos incríveis Bamse foi do mascote de seu navio para o mascote de toda a Marinha Real Norueguesa, e depois de todas as Forças Livres da Noruega. Uma fotografia icônica dele usando um boné de marinheiro norueguês foi usado em cartões de Páscoa patrióticos e cartões de Natal durante a guerra. O PDSA (uma organização veterinária de caridade) fez dele um Mascote Oficial das Forças Aliadas.
Mas infelizmente a carreira de Bamse ia ser mais curta do que o esperado, sofrendo de insuficiência cardíaca Bamse morreu no porto de Montrose em 22 de julho de 1944, ele tinha entre 6 e 7 anos de idade apenas. Ele foi enterrado com todas as honras militares. 
Centenas de marinheiros noruegueses, soldados aliados, estudantes e cidadãos de Montrose e Dundee compareceram ao seu funeral. Seu túmulo nas dunas de areia foi cuidado pela população local. A Marinha Real da Noruega realiza uma cerimônia comemorativa a cada dez anos em sua homenagem. 
Depois de sua morte ele recebeu várias medalhas e uma estátua de bronze. Em 2016, cerca de 72 anos após sua morte, 17 acres de floresta foram plantados em sua honra.
Devido ao interesse das pessoas em sua história ele acabou também virando atração de museus e teve um livro escrito sobre sua vida, por isso sua lenda sempre será lembrada.

6 de janeiro de 2021

Os maiores guerreiros do mundo #10

Nós finalmente chegamos na décima parte de nossa série sobre os maiores guerreiros que já viveram nesse planeta e deixaram o seu nome marcado na história.
E se você quiser ver mais pessoas que se tornaram lendas, conheça a história de alguns dos maiores criminosos do mundo clicando aqui agora mesmo.

『第八回特別展 すもう 天下の力士』、葛城市博物館編、2007年、10p, Domínio público, via Wikimedia Commons
Hoje nós vamos começar com Yasuke, o samurai misterioso que entrou na história tanto por sua habilidade quanto pelo fato dele ser um dos únicos samurais negros que já existiram. Mas será que isso foi verdade mesmo?
Ninguém sabe muito sobre a infância de Yasuke, o mais provável é que ele tenha nascido em Moçambique, também chamado de África Oriental Portuguesa, isso porque os primeiros africanos a chegarem no Japão em 1546, como escravos ou marinheiros, eram de lá. Seu nome africano provavelmente era Issufo, mas ele foi mudado quando o futuro guerreiro chegou na Ásia.
Yasuke chegou ao Japão em 1579 a serviço do missionário jesuíta italiano Alessandro Valignano, nomeado Visitante das missões jesuítas nas Índias (África Oriental, Sul e Leste da Ásia). Ele acompanhou Valignano quando este chegou à área da capital em março de 1581, e sua pele negra causou muito interesse à população local, que nunca haviam visto um africano em suas vidas. Tanto que quando Yasuke foi apresentado a Oda Nobunaga, o Daimyō japonês pensou que a pele de Yasuke era falsa, que ele havia sido pintado com tinta preta, Nobunaga então mandou ele esfregar a pele até que a tinta saísse, mas obviamente ela nunca saiu. Quando Nobunaga percebeu que a pele do africano era de fato negra, ele se interessou muito por ele.
Yasuke foi descrito como saudável, e também como forte, o próprio Nobunaga elogiou a sua força, e é possível que o sobrinho do Daimyō tenha até mesmo dado dinheiro ao africano em seu primeiro encontro. Ele tinha cerca de 1,88 metros de altura e os japoneses descreveram sua pele na época como "escura como carvão".
Em 14 de maio Yasuke partiu para a província de Echizen com os outros cristãos. Durante essa viagem eles se encontraram com vários senhores da guerra locais, como Shibata Katsutoyo, Hashiba Hidekatsu e Shibata Katsuie. Eles retornaram a Kyoto em 30 de maio. Em algum momento depois dessa viagem Yasuke entrou oficialmente no serviço de Nobunaga.
É muito provável que Yasuke tenha aprendido japonês, provavelmente devido aos esforços de Valignano para garantir que seus missionários se adaptassem à cultura local. Nobunaga até mesmo gostava de conversar com o africano quando possível. Ele foi possivelmente o único não japonês que Nobunaga tinha a seu serviço, Yasuke até mesmo recebeu sua própria residência e uma katana curta e cerimonial do Daimyō, que também atribuiu a ele o dever de portador de armas. Mas infelizmente a amizade dos dois iria chegar ao fim rapidamente.
Em junho de 1582, Nobunaga foi atacado por seus inimigos e forçado a cometer "seppuku" (suicídio) em Honnō-ji, em Kyoto, pelo exército de Akechi Mitsuhide. Yasuke também estava lá na época e o samurai africano ajudou a combater as forças de Akechi por horas, lutando bravamente contra vários inimigos. Imediatamente após a morte de Nobunaga, Yasuke se juntou ao herdeiro de seu antigo amigo, Oda Nobutada, que estava tentando reunir as forças de Oda no castelo Nijō. Yasuke lutou novamente ao lado das forças Nobutada, mas infelizmente acabou sendo capturado. 
Quando Yasuke foi apresentado a Akechi, o senhor da guerra alegou que o homem negro era um animal e não japonês e, portanto, não deveria ser morto, mas levado para a igreja cristã em Kyoto. No entanto, há algumas dúvidas sobre a credibilidade disso.
Infelizmente esse foi o fim do samurai negro, não há mais informações escritas sobre ele depois disso, o que realmente aconteceu com ele foi um mistério, mas as duas maiores possibilidades são que ele tenha morrido pouco após isso, ou que tenha saído do Japão, já que um homem negro como ele atrairia muita atenção.
A lenda de Yasuke acabou crescendo devido aos vários mistérios ao redor do samurai, ele já inspirou livros, jogos de vídeo-game, apareceu em várias pinturas, virou personagem de mangá e sua vida inspirou uma série animada da Netflix. Isso sem contar as diversas teorias do que realmente deve ter acontecido com ele, teorias essas que já estão sendo formadas por quase 500 anos.

Maître de la Mazarine, Domínio público, via Wikimedia Commons
Khutulun, também chamada por vários outros nomes como Aigiarne, Aiyurug, Khotol Tsagaan e Ay Yaruq, foi uma das poucas guerreiras femininas que entraram para a história graças as suas habilidades. A garota nasceu por volta de 1260, em 1280 seu pai, Kaidu, tornou-se o governante mais poderoso da Ásia Central, reinando nos reinos do oeste da Mongólia até Oxus, e do platô da Sibéria Central à Índia.
O pouco que sabemos sobre ela veio das descrições do famoso explorador Marco Polo, que descreveu Khutulun como uma excelente guerreira, alguém que podia "subir nas fileiras inimigas e arrebatar um cativo tão facilmente quanto um falcão arrebata uma galinha". Ela ajudou o pai em muitas batalhas, particularmente contra a dinastia Yuan de seu próprio primo, o Grande Khan.
A mulher era tão confiante em suas próprias habilidades que ela insistia que qualquer homem que desejasse se casar com ela deveria primeiro derrotá-la na luta livre, se o homem perdesse deveria lhe dar cavalos como símbolo de sua derrota. Ganhando cavalos em competições e apostas de pretendentes, diz-se que ela reuniu um rebanho de dez mil animais.
De todos os filhos de Kaidu, Khutulun era a sua favorita e aquele de quem ele mais procurava conselhos e apoio político. Segundo alguns relatos, ele até tentou nomeá-la como sua sucessora antes de morrer em 1301, no entanto sua escolha foi recusada devido ao fato de que mulheres não podiam ser líderes.
Quando Kaidu morreu, Khutulun guardou sua tumba com a ajuda de seu irmão Orus. Ela foi desafiada por seus outros irmãos, incluindo Chapar e seu parente Duwa porque resistiu à sucessão deles.
Ela morreu em 1306, aos 46 anos, de motivos desconhecidos. Após a sua morte é possível que seus irmãos tenham sentido inveja das habilidades dela e tentaram apagar o seu nome da história mongol, por isso existem tão poucos relatos dela hoje em dia. Mesmo assim sua lenda foi redescoberta e hoje ela já inspirou livros, filmes e até séries.

 
E por último nós vamos falar de Patrick Tadina, um soldado que lutou bravamente, e ele fez isso de pijamas!
Patrick provavelmente nasceu em algum lugar do Havaí, ele nunca teve o corpo de um soldado americano, no seu auge ele chegou aos 1,65 m e pesava aproximadamente 58 kg, mesmo assim ele acabou indo parar na Guerra do Vietnã, onde ele acabaria fazendo a sua fama.
Durante 1965 e 1970 ele acabou liderando várias patrulhas de reconhecimento de longo alcance nas profundezas do território inimigo. Mas então como ele nunca era pego por seus inimigos? Simples, Patrick ia nessas patrulhas de pijama, isso junto a sua descendência "asiática" fazia com que ele parecesse mais um civil do que um soldado, então seus inimigos nunca esperavam o seu ataque surpresa, que normalmente vinha na forma de uma AK-47 que Patrick carregava. E quando ele era finalmente descoberto por seus inimigos, ele fingia fugir deles, mas na verdade ele estava levando eles para uma emboscada, onde seus soldados estavam esperando.
No Vietnã ele serviu com a 173ª Patrulha de Reconhecimento de Longo Alcance da Brigada Aerotransportada, a 74ª Patrulha de Longo Alcance do Destacamento de Infantaria e a Companhia N (Ranger), 75ª Infantaria.
Na verdade Tadina ingressou no Exército em 1962 e serviu na República Dominicana antes de ir para o Sudeste Asiático. Ele também serviu na 82ª Divisão Aerotransportada de Granada durante a Operação Fúria Urgente em 1983 e com a 1ª Divisão de Infantaria durante a Operação Tempestade no Deserto em 1991.
Provavelmente o mais impressionante de tudo isso é que em todos esses anos de serviço Tadina nunca perdeu um de seus homens, todos sempre voltavam com vida para casa, isso rendeu a ele uma grande fama, e em 1995 o guerreiro foi induzido no Hall da Fama dos Rangers, que diz que ele serviu com "extremo valor, nunca perdendo um homem durante seus anos como líder de equipe no Vietnã", e olha que foram mais de 200 homens sob o seu comando.
Mas embora seus aliados sempre voltassem sem um arranhão, o próprio Tadina foi baleado três vezes, e seu único irmão foi morto em combate no Vietnã. Isso porque Patrick era um Pointman, que é basicamente um soldado que abre caminho para os outros, em outras palavras Tadina já estava dentro da chamada "zona de morte" quando a batalha começava. A primeira vez que ele foi baleado foi quando Tadina abriu fogo contra seus inimigos e chamou a emboscada, depois disso ele acabou caindo no chão ao ser baleado nas duas panturrilhas, mesmo assim ele recusou ajuda médica e continuou a comandar a batalha até o inimigo recuar.
A última vez que ele foi baleado foi durante uma emboscada inimiga na qual ganhou sua segunda Estrela de Prata, e os ferimentos eram tão severos que eles quase o forçaram a ser evacuado do país.
Mesmo depois de tudo isso Patrick não gostava de se gabar, quase nunca contando as suas experiências, o que fez com que sua fama fosse desaparecendo de pouquinho em pouquinho.
Depois de se aposentar do Exército em 1992, ele continuou trabalhando na área de segurança até 2013, incluindo passagens pelo Iraque, Afeganistão e Paquistão. No fim ele se tornou o Ranger com o maior número de anos servidos no Vietnã e um dos soldados alistados mais condecorados da guerra.
Patrick infelizmente faleceu em maio de 2020, aos 77 anos, depois de sofrer com demência por anos. No total ele ganhou duas Estrelas de Prata, dez Estrelas de Bronze, sete por bravura, três Cruzes da Galanteria vietnamitas, quatro Medalhas de Louvor do Exército, incluindo duas por bravura e três Corações Roxos. Então não é difícil ver por que ele merece ser chamado de um dos maiores guerreiros que já viveu não é?

E é isso pessoal, com essa matéria finalizamos o nosso Top 30 dos maiores guerreiros que já existiram, obrigado a todos que leram, não deixem de curtir o nosso facebook em Real World Fatos, e se ainda tiver um guerreiro que você acha que deveria estar nessa lista pode nós mandar um e-mail com sua sugestão.

1 de abril de 2017

Os maiores guerreiros do mundo animal #2

Guerreiros podem vir de todas as nacionalidades, tamanhos, épocas e até espécies. Você já conheceu alguns dos maiores soldados, guerreiros e espiões que já viveram, e agora você vai ser a segunda parte dessa matéria que vai mostrar mais alguns animais que inspiraram as pessoas com sua bravura e inteligência. Confira, você não vai se arrepender.

USMC Archives, CC BY 2.0 DEED, imagem cortada
Se você leu a primeira parte dessa matéria você sabe que desde a Segunda Guerra Mundial o exército deixou de reconhecer os feitos de animais em guerras, assim apenas soldados levavam os créditos, mas vamos avançar um pouco no tempo para a Guerra do Vietnã de 1955. Nessa época o exército tinha avançado em sua campanha contra cães de guerra, tanto que eles nem eram mais considerados seres vivos e sim "equipamento extra". Eles nem ao menos tinham nomes de verdade e sim um nome seguido por um número de identificação. Esse foi o caso do pastor alemão Nemo A534.
Pouco se sabe sobre o passado de Nemo, afinal ele era um objeto então sua história não precisava ser contada, mas o que ele fez na guerra chamou a atenção das pessoas e o tornou famoso mesmo assim.
A base aérea de Tan Son Nhut, onde Nemo estava estacionado, caiu sob um ataque surpresa dos Viet Cong nas primeiras horas de 4 de dezembro de 1966. Nemo, como o bom cão de guarda que ele era, defendeu sua base com garras e dentes e no processo acabou perdendo um olho e sofrendo um ferimento de bala no focinho. 
Apesar de suas lesões graves, Nemo ainda queria lutar e conseguiu repelir o ataque e salvou a vida de seu tratador, o aviador Robert A. Throneburg, que também havia sido ferido em batalha. Rastejando através do corpo de Throneburg, Nemo atacava qualquer soldado inimigo que se aproximasse dele, ele fez isso por horas até que a equipe médica aliada finalmente chegou em sua base.
Embora Nemo tenha feito todo o trabalho foi seu treinador que recebeu as várias medalhas daquela dia, mas o cachorro não ligava, ele só queria fazer seu trabalho.
Mesmo sem receber os créditos a história de Nemo se espalhou e o E.U.A deixou com que Nemo voltasse para casa e se tornasse um dos primeiros K-9 a se aposentar, ele voltou para seu lar e levou uma vida tranquila na base militar até sua morte em 1972. Até hoje existe um memorial em sua honra no local onde ele faleceu.
Embora o pastor alemão tenha se aposentado, os outros cães de guerra da Guerra do Vietnã não tiveram tanta sorte, os militares abandonaram e executaram milhares de unidades K-9 quando a guerra acabou. Os que foram abandonados no Vietnã não se sabe o que aconteceu, eles podem ter sido mortos pelos soldados inimigos, mortos pela fome e sede ou mortos para serem consumidos como comida pelos vietnamitas.

3 de julho de 2020

Os maiores guerreiros do mundo #9

Seja bem-vindo a mais uma parte de nossa incrível série de matérias sobre os maiores guerreiros que já viveram, sejam eles humanos ou animais, aqui você vai descobrir a história de pessoas reais cujos feitos inacreditáveis os transformaram em lendas históricas. 
E se você quiser conhecer a história de mais pessoas que viraram lendas, clique aqui e leia nossas matérias da série sobre a história dos criminosos mais famosos do mundo.

Anthony van Dyck, Domínio público, via Wikimedia Commons
Embora Rupert do Reno (chamado de Ruperto no Brasil) tenha uma aparência que lhe faz parecer uma pessoa frágil, não se engane, ele foi um dos maiores guerreiros que já existiu.
Rupert nasceu com sorte, mas ela não durou muito. Ele nasceu em Praga, Boêmia, em 1619, e foi declarado príncipe pelo principado de Lusatia. Seu pai tinha sido eleito Rei da Boêmia pouco tempo atrás, mas viria a perder esse título depois de uma guerra, e passou a ser sinônimo de piada para muitos que viviam ali. A mãe de Rupert não parecia gostar muito dos filhos, ela passava mais tempo com seus cães e macacos de estimação do que com as crianças, tanto que depois que seu pai perdeu a guerra a família de Rupert teve de fugir, mas eles quase deixaram o garoto para trás, foi um cortesão que colocou a criança na carruagem no último minuto.
O ex-príncipe e seus irmãos eram cuidados por governantes que faziam eles seguirem a ideologia política que eles escolhessem. As crianças ainda tinham uma rotina escolar rigorosa, incluindo lógica, matemática, escrita, desenho, canto e instrumentos musicais. Quando criança, Rupert às vezes era mal educado e ganhou o apelido de Robert le Diable, ou "Rupert o Diabo". No entanto, ele provou ser um aluno muito capaz. Aos três anos de idade, ele sabia falar inglês, tcheco e francês, e dominava o alemão ainda jovem, ele se destacou na arte, e achava fácil matemática e ciências. Quando ele tinha 18 anos, já tinha cerca de 1,93 m de altura.
Aos 14 anos Rupert decidiu seguir a carreira de militar, mesmo sendo mais jovem do que a maioria dos guerreiros da época. Depois de lutar em uma guerra ele foi "promovido" a salva-vidas militar do príncipe Frederick Henry em 1635. O garoto continuou a lutar contra a Espanha Imperial na bem-sucedida campanha de Breda em 1637 durante a Guerra dos Oitenta Anos na Holanda. No final deste período, Rupert já havia adquirido uma reputação de destemido em batalha, além disso ele tinha muito alto-astral, uma qualidade rara em alguém que estava no meio da guerra e podia morrer a qualquer momento.
Rupert foi colocado no comando de um regimento de cavalaria do Palatinado, mas dessa vez perdeu a batalha, ele tentou fugir mas foi capturado por inimigos. Ele tentou subornar os guardas mas falhou, e embora ele pudesse ser torturado ou até morto na prisão, a grande preocupação de sua mãe era que Rupert fosse convertido do Calvinismo ao Catolicismo. O Imperador Ferdinando gostou da ideia, ele mandou padres jesuítas tentarem converter Rupert, ele ainda prometeu liberdade, terras, dinheiro e um posto como general imperial se Rupert trocasse de religião, mas o prisioneiro se recusou.
O que ninguém contava é que a espada não era a única arma de Rupert, seu charme também era poderoso, ele virou amigo do irmão mais novo do Imperador, que convenceu o irmão mais velho a pegar mais leve com o prisioneiro, mas isso não foi tudo, Rupert passou a praticar gravura, tênis, tiro, leu livros militares e foi levado em viagens de caça acompanhadas, tudo isso enquanto ainda tecnicamente estava preso. Para ficar ainda melhor ele passou a ter um caso com a filha de seu carcereiro, o Conde von Kuffstein. Ele ainda ganhou um poodle branco de presente, um animal raro na época, que ele chamou de Boy, ou Pudel.
Membros do exército tentaram libertar Rupert, mas depois de uma negociação entre as duas partes ele saiu andando da cadeia em troca da promessa de nunca mais levantar uma arma contra o Imperador. Dizem que Rupert, charmoso como sempre, até mesmo beijou a mão do Imperador antes de ir embora.
Porém, Rupert provavelmente é mais lembrado hoje por seu papel como comandante monarquista durante a Guerra Civil Inglesa. Ele teve um sucesso considerável durante os primeiros anos da guerra, sua determinação, vontade de ganhar e experiência em técnicas europeias, lhe trouxeram várias vitórias iniciais.
Mas a medida que a guerra progredia, a juventude de Rupert e a falta de maturidade em administrar seus relacionamentos com outros comandantes monarquistas acabaram por resultar anos depois em sua remoção de seu posto e na aposentadoria final da guerra, afinal, ele ainda era considerado por muitos uma criança. Durante o conflito, no entanto, Rupert também ganhou uma poderosa posição simbólica: ele era um Cavaleiro Realista Icônico e, como tal, era frequentemente objeto de propaganda parlamentar e monarquista, uma imagem que durou ao longo dos anos.
O cara tinha um temperamento bem direto, ele não tinha problemas em dizer quem ele respeitava e quem ele não respeitava, e em uma época onde todo mundo tinha de puxar o saco da realeza, não precisa dizer que Rupert fez muitos inimigos. Seu senso de humor sarcástico porém não tirava o fato de que ele era muito esperto e paciente quando necessário, qualidades que lhe renderam muitos amigos.
Rupert ainda continuou a impressionar com suas batalhas, em 1644, agora Duque de Cumberland e conde de Holderness, ele liderou o alívio militar de Newark, York e seu castelo. Tendo marchado para o norte, ao longo do caminho ele se envolveu em dois ataques sangrentos, mas sobreviveu, Rupert ainda interveio em Yorkshire em duas manobras altamente eficazes, na primeira superando as forças inimigas em Newark com pura velocidade, na segunda, atingindo o país em cheio e se aproximando de York a partir do norte. Mas ele não era invencível e também perdia batalhas, embora muitos não culpassem Rupert na época pelas derrotas, mas sim a falta de comunicação entre o exército e os monarquistas.
Em novembro de 1644, Rupert foi nomeado general de todo o exército real, o que aumentou as tensões já acentuadas entre ele e vários conselheiros do rei. Basicamente Rupert dizia que uma batalha seria perda de tempo, mas os conselheiros mandavam ele a guerra mesmo assim, e ele, claro, perdia a batalha, o que machucava sua reputação. Depois de um tempo Rupert estava de saco cheio e considerou os esforços reais uma grande perda de tempo e implorou para que um acordo de paz fosse feito. Mas os conselheiros ainda acreditavam que eles podiam ganhar, Rupert então se envolveu em uma batalha impossível de se ganhar, e fez o que provavelmente foi a decisão mais difícil de sua carreira, ele desistiu de lutar e entregou o território aos seus inimigos. Claro que assim que a notícia chegou aos "chefões" ele foi demitido de seu cargo na mesma hora.
Rupert porém não estava feliz com isso, para ele sua decisão de desistir da batalha era a coisa certa a se fazer para evitar mortes desnecessárias, por isso quando foi demitido ele resolveu que teria uma conversinha cara a cara com o Rei Charles, mesmo se o Rei não quisesse vê-lo. Rupert respondeu atravessando o território parlamentar ocupado pelo rei em Newark com o príncipe Maurice e cerca de cem homens, abrindo caminho por unidades inimigas menores e fugindo das maiores. O Rei Charles tentou ordenar que Rupert desistisse, temendo um golpe armado, mas Rupert chegou à corte real mesmo assim. Depois de uma conversa difícil Rupert convenceu o Rei a mandar ele e seus aliados a julgamento, onde foram exonerados. Depois de ganhar sua honra de volta ao ser inocentado ele mesmo se demitiu e ainda levou seus melhores soldados com ele. Mas anos depois ele fez as pazes com o Rei, mesmo assim o parlamento baniu Rupert e seu irmão de toda a Inglaterra. Ele passou então a atuar como uma espécie de mercenário trabalhando para os espanhóis, alemães e até para a Marinha Real.
Devido a seu temperamento difícil, Rupert foi várias vezes alvo de rumores de crimes de guerra, incluindo ter queimado uma cidade inteira uma vez, mas até hoje nada foi provado.
Rupert era tão bom no que fazia que muitos o acusaram até de bruxaria, e ainda acusaram seu poodle de estimação de ser um familiar, diziam até mesmo que o cachorro conseguia pegar balas no ar para proteger Rupert. 
Além de soldado ele era ainda um artista famoso, um inventor e tinha vários interesses no mundo da ciência, o que provavelmente não ajudou com sua fama de bruxo perante a igreja e seus seguidores.
Após a Restauração da monarquia em 1660, Rupert retornou à Inglaterra mesmo depois de ser banido, como a maioria dos melhores cargos no governo já haviam sido ocupados, o emprego de Rupert era limitado, embora o Rei Charles o recompensasse com a segunda maior pensão que ele havia concedido, 4.000 libras por ano.
A saúde de Rupert também piorou consideravelmente depois de sua aposentadoria, ele sofria com um ferimento na cabeça de seus dias de mercenário, um na perna e ainda tinha de lidar com a malária. Rupert morreu em sua casa em Spring Gardens, Westminster, em 29 de novembro de 1682, aos 62 anos, após um ataque de pleurisia, ele foi enterrado na cripta da Abadia de Westminster em 6 de dezembro, em um funeral estadual. Seu filho seguiu os passos do pai e virou militar, mas faleceu ainda adolescente. Hoje Rupert apareceu em livros, filmes, jogos e ainda teve diversos lugares batizados em sua honra, o "pequeno demônio" continua a ser lembrado.