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5 de dezembro de 2018

As 11 guerras mais idiotas e estranhas do mundo

Aqui no Real World Fatos você já viu diversas guerras que começaram por motivos idiotas e se transformaram em conflitos sérios, mas agora você vai ver guerras que podiam até ter um bom motivo pra começar, mas elas eram bizarras demais para se acreditar.
E quando você terminar de ler curta o nosso facebook!

Richard Dorsey Mohun (1865-1915), Domínio público, via Wikimedia Commons
Conheça a Guerra Anglo Zanzibar, enquanto outros países tinham a Guerra de Cem Anos ou até de Trezentos Anos, essa guerra em particular durou incríveis 38 minutos, sendo então a guerra mais curta da história moderna.
A causa do conflito foi a morte do sultão pró-britânico Hamad bin Thuwaini em 25 de agosto de 1896 e a subsequente sucessão ao trono do sultão Khalid bin Barghash. As autoridades britânicas preferiam Hamud bin Muhammed, mais favorável a eles como governante, e devido a um tratado era eles quem iriam escolher o novo sultão, eles então mandaram Khalid deixar o trono, algo que ele não fez, as coisas escalaram e a guerra foi anunciada.
Os britânicos tinham reunidos três cruzadores, dois navios de guerra, 150 fuzileiros navais e marinheiros e 900 zanzibaris na área portuária. Do outro lado cerca de 2.800 zanzibaris defenderam o palácio, a maior parte recrutados da população civil, embora estivessem inclusas também a guarda do palácio do sultão e várias centenas de seus funcionários e escravos.
A guerra foi tão curta que dá até para falar o que aconteceu bem detalhadamente: um bombardeio, que foi iniciado às 9h 2min, ateou fogo no palácio e neutralizou a artilharia de defesa. Uma pequena ação naval britânica afundou um iate real zanzibari e dois barcos menores, e alguns tiros foram disparados ineficazmente contra as tropas zanzibaris pró-britânicas à medida que estes se aproximavam do confronto direto. A bandeira do palácio foi abatida e o fogo cessou às 9h 40min.
As forças do sultão totalizaram aproximadamente quinhentas baixas, enquanto apenas um marinheiro britânico foi ferido. Khalid recebeu asilo no consulado alemão antes de escapar para Tanganica. Os britânicos rapidamente colocaram Hamud no poder. A guerra marcou o fim de Zanzibar como um estado soberano e o início de um período de forte influência britânica.

Willem van de Velde the Younger, Domínio público, via Wikimedia Commons
Você já ouviu falar da Guerra dos Cem Anos certo? Agora vamos falar da Guerra dos 335 Anos, e o mais estranho é que ninguém morreu nela.
A origem da guerra está na Segunda Guerra Civil Inglesa que durou 9 anos. Basicamente depois disso, em 1651, os Países Baixos e as Ilhas de Scilly (que são parte da Inglaterra) continuaram brigando porque as Ilhas não queriam pagar pelo estrago da guerra, uma nova guerra foi então declarada apenas contra as Ilhas, e não contra a Inglaterra inteira, até que em junho do mesmo ano a Ilha se rendeu e os holandeses foram embora sem disparar um único tiro, era o fim da guerra... ou quase isso, o problema é que ninguém assinou um tratado de paz, eles apenas se esqueceram que ainda estavam em guerra.
Isso durou até o ano de 1986 quando Roy Duncan, historiador e presidente do Conselho das Ilhas de Scilly, escreveu à embaixada holandesa em Londres para acabar com o mito de que as ilhas tinham entrado e ainda estavam em guerra com os Países Baixos. Imagina a surpresa dele quando a embaixada disse que aquilo não era um mito, e que tecnicamente falando eles ainda estavam em guerra 335 anos depois, já que ninguém assinou um tratado de paz.
O embaixador holandês foi então convidado a visitar as Ilhas onde um tratado oficial de paz foi finalmente assinado em 17 de abril de 1986. Ele se divertiu com toda a situação e até brincou que deve ter sido angustiante para os cingaleses "saber que poderíamos ter atacado a qualquer momento".
Mesmo a guerra tendo sido declarada sem nenhuma autoridade oficial ela não só é considerada a guerra mais longa da história, mas também a que produziu menos danos.

4 de setembro de 2018

Guerras que começaram por motivos muito idiotas

Guerras podem ser travadas por vários motivos, talvez um país queira mais território, ou eles são de religiões diferentes, etc. Mas que tal travar uma guerra ao defender a honra de um camelo? Ou pelos direitos de comer bacalhau?
Confira agora algumas guerras que começaram por motivos unicamente estúpidos e bizarros. E claro, visite e curta o nosso facebook: Real World Fatos.

Prosper Marilhat, Domínio público, via Wikimedia Commons
A guerra de Basus começou com a morte de um camelo, só que o camelo pertencia a um homem que estava sob proteção de uma mulher chamada Al-Basus, e pra quem não sabe, matar um camelo de uma dama era uma falta de respeito sem igual na Arábia antiga. 
Como resultado do desacato as tribos primas de Taghlib e Bakr foram a guerra, mas o problema não foi resolvido tão rapidamente quanto eles provavelmente esperavam, eles lutaram por cerca de quarenta anos (de 494 até 534 EC) até que a guerra chegou ao fim. 
Em partes do mundo árabe de hoje, a Guerra de Basus foi incorporada em um aforismo alertando as pessoas contra os perigos da vingança.

CoventryAlbertWestfj.png:Kjallakr at en.wikipediaderivative work: Materialscientist, Domínio público, via Wikimedia Commons
A Guerra do Bacalhau, também chamada de Guerra do Bacalhau Islandês, foi uma série de confrontos nas décadas de 1950 e 1970 entre o Reino Unido e a Islândia, o motivo? Eles queriam saber quem tinha o direito de pescar bacalhau.
Em 1972, a Islândia declarou uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) estendendo-se além das suas águas territoriais. Essa expansão causou diversos incidentes com barcos islandeses e britânicos. Como resposta, a Marinha Real Britânica deslocou navios de guerra para evitar conflitos entre os barcos pesqueiros dos dois países.
A disputa acabou em 1976 depois da Islândia ameaçar fechar uma base da OTAN em retaliação ao movimento de navios militares nas águas em disputa. O governo britânico cedeu e concordou que após o primeiro de dezembro de 1976 os navios britânicos não pescariam mais bacalhaus na área em disputa.

29 de maio de 2021

Os maiores guerreiros do mundo animal #5

Quem disse que a coragem é exclusiva dos humanos? Existem muitos animais por aí que deixam as pessoas para trás quando o quesito é ser um herói.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros do mundo animal nessa aclamada série de matérias. E se você não gostar de animais ou estiver curioso, clique aqui e veja os maiores guerreiros humanos que já viveram.

Domínio público
Cher Ami não foi o único pombo a fazer fama na guerra, conheça G.I Joe, o pombo correio que salvou a vida de mais de 1000 soldados durante a Segunda Guerra Mundial.
Não existem muitas informações sobre o passado de Joe, naquela época usar pombos correios era muito comum e eles não perdiam tempo catalogando todos eles porque a maioria iria morrer ou se perder. O pombo de rosto branco tinha uma missão simples, ele ia para a guerra com os soldados e se eles precisassem mandar uma mensagem para a base eles soltavam o pombo com um bilhete. Ao contrário do que muita gente acredita pombos correios só entregam mensagens para um lugar, eles não vão para qualquer lado.
Tudo ia relativamente bem na vida de Joe, que embora fosse americano estava no regimento britânico, que por sua vez estava eliminando os nazistas-fascistas da Itália, eles faziam um bom trabalho, talvez bom até demais.
Durante a Campanha italiana da Segunda Guerra Mundial, G.I. Joe estava indo para a Vila de Calvi Vecchia, na Itália, com as tropas britânicas da 56ª Divisão de Infantaria (Londres), os faci-nazistas estavam ocupando o lugar e mais de 1.000 soldados aliados foram enviados para recuperar e libertar a vila. O problema é que como medida de segurança os americanos planejavam bombardear a vila caso os ingleses perdessem a batalha.
Os yankees aparentemente não tinham fé nos britânicos, antes mesmo da batalha terminar eles já tinham autorizado o bombardeio para a vila, mas no último instante os ingleses venceram, e eles libertaram a vila, na verdade o que aconteceu é que os alemães fugiram mais cedo do que o esperado. Rapidamente eles foram avisar os americanos para não jogar as bombas já que agora a cidade estava livre de nazistas... mas seu rádio estava morto.
Agora havia batido o desespero, os americanos iam bombardear 1.000 de seus próprios aliados achando que eles eram nazistas, a única esperança do povo era aquela ave rechonchuda de penas claras.
Uma mensagem para parar o bombardeio foi amarrada em G.I Joe, que agora tinha de voar para sua base mais rápido do que os aviões americanos voariam para a vila onde estavam os soldados. Para a surpresa de todos os envolvidos o pombo conseguiu voar 32 Km (20 milhas) em apenas 20 minutos, é como se ele soubesse que todos os soldados morreriam caso ele falhasse. O plano funcionou, o bombardeio foi cancelado e a ave salvou sozinha a vida de mais de 1.000 soldados aliados.
Em 4 de novembro de 1946, G.I. Joe recebeu a Medalha de Dickin por Galanteria Animal dada pelo major-general Charles Keightley na Torre de Londres, a citação o credita com o voo mais excepcional feito por um pombo do Exército dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. G.I. Joe era o 29º e o primeiro receptor não-britânico da medalha.
Depois da guerra todos concordavam que o pombo merecia uma aposentadoria, ele foi alojado no Churchill Loft do exército dos EUA em Fort Monmouth, em Nova Jersey, juntamente com outros 24 pombos heroicos. Ele morreu nos Jardins Zoológicos de Detroit aos 18 anos, ele foi empalhado para ser exposto no Museu de Eletrônica das Comunicações do Exército dos EUA em Fort Monmouth, onde todos poderiam saber de sua magnifica história.

13 de novembro de 2018

Os maiores guerreiros do mundo animal #6

Animais podem ser tão corajosos quanto o mais valente dos humanos, muitos já deram suas vidas em guerras ao redor do mundo, mas alguns tiveram feitos tão legendários que eles entraram para a história.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros animais que já viveram, e se você quiser conhecer os guerreiros humanos dessa lista, clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte.

FOTO:FORTEPAN / Schmidt Albin, Domínio público, via Wikimedia Commons
Conheça Jimmy The Donkey, ou Jimmy o Burro, sua história não é muito famosa mas ela já foi contada várias vezes através dos anos, o problema é que agora quase ninguém sabe o que é verdade e o que não é, mesmo assim vamos contá-la do melhor jeito possível.
Acredita-se que Jimmy "O Sargento" nasceu na França, bem no meio de uma guerra, isso depois que uma bomba feriu sua mãe grávida fazendo com que ela entrasse em trabalho de parto durante a Batalha do Somme em 1916. Tropas trouxeram o burro a vida em meio a bombas e tiros na linha de frente e o desmamaram em latas de leite condensado.
Os soldados acabaram se apegando a Jimmy e ele foi "adotado" pelo exército. Jimmy passou os dois anos seguintes carregando equipamento e soldados de um lado pro outro, e foi até ensinado a levantar a cabeça e sua patinha em saudação. O burrinho participou de algumas batalhas da Primeira Guerra Mundial durante esse período, mas a guerra não era brincadeira e Jimmy foi atingido pelo menos 3 vezes por bombardeios, mesmo assim ele sempre se levantava e continuava com seu serviço.
Graças a sua coragem Jimmy foi promovido a Sargento e ganhou 3 faixas que mostravam o seu serviço prestado.
Agora com a tropa de Fuzileiros Escoceses Camaroneses. Jimmy foi premiado com a Medalha Dickin por bravura, a mais alta honra militar de um animal, pelo Museu Cameronian, em Hamilton, na Escócia. 
Sam Morrell, membro da Associação Regimental dos Rifles Escoceses da Camerônia e historiador da guerra, disse: "Jimmy desempenhou um papel importante em manter a moral das tropas, mesmo que ele apenas agisse como uma distração do horror do que estava ao seu redor".
Em 1920 ele foi para Peterborough, onde os escoceses da República dos Camarões ficaram brevemente baseados antes de retornar à Escócia. Mas antes dos soldados partirem, Jimmy foi vendido em um leilão de caridade para uma mulher conhecida apenas como Sra. Heath, de Peterborough, Cambridgeshire.
Ao longo dos próximos 23 anos Jimmy participou de uma série de eventos de caridade, levantando milhares de libras para a RSPCA (uma organização criada para a proteção dos animais), incluindo passeios de burro para crianças ao longo da praia da cidade. Pode não ser o melhor emprego mas era melhor do que morrer na guerra.
Após sua morte, ele foi enterrado no Central Park de Peterborough em 1943 e um monumento foi erguido em sua homenagem. O túmulo caiu no esquecimento, mas foi restaurado em 2003.
Jimmy não é muito conhecido ao redor do mundo mas ele é famoso em Cameronian, tanto que ele foi homenageado como parte de uma exposição no Museu Cameronian em Hamilton.

18 de janeiro de 2021

Os maiores guerreiros do mundo animal #10

De cães e gatos, até macacos, burros e elefantes, não existe um animal que possa ser adestrado que já não tenha sido usado por humanos em suas guerras, mas alguns desses bichinhos se superaram no quesito habilidade e entraram para a história como grandes soldados, confira agora a história de mais alguns deles.
E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policiais) do mundo, clicando aqui.

not stated, Domínio público, via Wikimedia Commons
Vamos começar com Lizzie, a Elefanta de Guerra que ajudou em muito na Primeira Guerra Mundial. A elefanta provavelmente nasceu em uma ménagerie itinerante inglesa que pertencia a William Sedgwick. Mas o que é uma ménagerie? "Ménagerie" é uma palavra francesa usada para designar uma coleção particular de animais vivos em cativeiro, geralmente selvagens e exóticos, seria então uma mistura de zoológico com circo.
Sua vida era a de qualquer elefante circense, mas quando a Grande Guerra estourou a pobre elefanta viu seu futuro indo pelo ralo. Circos e shows itinerários em geral tiveram de começar a seguir várias regras novas devido as batalhas, isso levou muitos desses shows a serem completamente cancelados, levando os animais a serem executados ou indo parar na guerra. Lizzie acabou indo trabalhar em uma espécie de ferro velho, sendo usada para transportar sucatas, já que os cavalos do local tinham sido requisitados pelo exército. Segundo relatos da época seu novo dono ficou muito feliz com o animal, que tinha a força de no mínimo 3 cavalos.
Além de sucatas Lizzie também transportou máquinas em torno de Sheffield para apoiar o esforço que a indústria siderúrgica estava comprometendo com a guerra, tornando Lizzie uma recruta de guerra não-oficial. A elefanta estava abrigada perto da fábrica, no que é agora o edifício Hancock and Lant, em Ladies Bridge, e se tornou muito famosa na cidade, virando uma espécie de atração do local. A elefanta era tão boa em seu trabalho que ela passou a carregar munições ativas de um canto para o outro da cidade.
Foi relatado que ela era capaz de remover e carregar grandes quantidades de material, sendo a maior delas de 28 toneladas em 6 viagens da estação para as empresas nas quais trabalhava. No começo os cavalos do local não foram com a cara da elefantinha, chegando a correr de medo dela, mas algum tempo depois todos passaram a se dar bem.
Embora alimentada com rações diárias que consistiam em dois baldes de milho misturados com meio fardo de feno, Lizzie tornou-se conhecida rapidamente como uma grande comedora na cidade, uma vez ela até mesmo roubou a maçã do bolso de um homem sem que ele notasse, divertindo as pessoas ao seu redor. Sua fama cresceu e as pessoas passaram a querer alimentar a elefanta, tanto que uma vez um homem deu a Lizzie uma cesta inteira de batatas, o que levou a elefanta a confrontá-lo pouco tempo depois, com a mesma cesta, agora vazia, como se ela dissesse "eu quero mais disso aqui". Ela não apenas roubou comida, como também teria comido um chapéu de um estudante.
Depois de um tempo a Grande Guerra acabou, Lizzie conseguiu passar por ela toda sem sofrer nenhum grande ferimento. Mas o que aconteceu depois da guerra é um mistério, como a elefanta desapareceu dos holofotes ninguém sabe ao certo o que aconteceu, algumas fontes dizem que ela continuou trabalhando com sucatas, outra diz que ela voltou ao seu dono original na ménagerie, e outra diz ainda que suas patas ficaram machucadas de tanto andar na cidade e a elefanta se aposentou, possivelmente indo parar em um zoológico. De qualquer jeito o que se sabe é que a indústria siderúrgica de Sheffield foi fundamental para o esforço de guerra do país e foi Lizzie quem garantiu que as fundições e fornos da cidade tivessem os suprimentos necessários. Sem ela, a produção podia ter sido severamente prejudicada e a guerra poderia ter tido um fim diferente na cidade londrina.

25 de fevereiro de 2019

As táticas e estratégias de guerra mais doidas que já foram usadas

A guerra é muito mais do que apenas matar seu oponente, exércitos precisam de estratégias, mas muitas vezes as táticas que eles utilizam só podem ser descritas como bizarras.
Confira agora as táticas e estratégias de guerra mais doidas que já foram usadas, mas antes de ler essa matéria clique aqui e curta nossa página no facebook.

Cassowary Colorizations, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Para vencer uma guerra você precisa de armas, soldados e... papel higiênico? Quando um homem se alistava no exército nos anos 80 a última coisa que ele pensava é que ele iria passar seus anos dourados observando as fezes de seus inimigos. Mas essa foi a base da Operação Tamarisk.
Conforme descrito em The Hidden Hand, de Richard Aldrich, na página 414, a operação secreta "envolvia privar os soviéticos de papel higiênico". A ideia não era matar os soviéticos de constipação, era que se eles não tivessem papel higiênico eles teriam de se limpar com outras coisas, e eles acertaram. Isso tudo os levou a usar documentos oficiais como papel higiênico.
Os EUA, o Reino Unido e a França usaram então seus espiões para recuperar os documentos usados para limpar a bunda deles, pois o papel não era solúvel e era colocado em lixeiras. 
Os espiões realmente chegaram a reclamar aos seus superiores que eles tinham que passar pelas caixas e recuperar papeis cheios de fezes em latas de lixo, latas que continham várias outras coisas nojentas incluindo até membros amputados, no caso de latas de lixo hospitalares. 
Quando os espiões contaram isso aos seus superiores eles não sentiram pena, os manipuladores pediram imediatamente que os espiões trouxessem os membros amputados para que pudessem estudar que tipo de estilhaços os soviéticos estavam usando.
Então foi isso, se sua vida está ruim lembre-se que alguns pobres espiões passaram seus anos de glória da guerra recolhendo as fezes de seus inimigos, quem sabe isso vai te fazer se sentir melhor.

USMC Archives from Quantico, USA, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Na guerra vale tudo, principalmente se você sabe o medo de seus inimigos. Quando os E.U.A entraram em guerra contra o Vietnã eles esperavam uma batalha fácil de ser vencida, mas aqueles fazendeiros asiáticos estavam chutando a bunda dos americanos, por isso eles precisavam de uma nova tática para virar o jogo.
Dois soldados do 6º Batalhão PSYOP conseguiram bolar essa tática, eles conseguiram espantar os inimigos com um ataque feito em duas partes. Primeiro um agente infiltrado espalhou nos dias anteriores que havia um tigre solto na região. Enquanto isso técnicos voaram até a Tailândia e gravaram rugidos de um tigre no Zoológico de Bangkok, eles mixaram uma fita com outros ruídos ameaçadores e passaram a usar o som nos alto-falantes dos helicópteros. 
Os vietnamitas ouviram o rugido vindo do helicóptero e pensaram que havia um tigre nas redondezas, sem pensar duas vezes eles abandonaram seu posto com medo de serem comidos.

Mas essa não foi a tática mais estranha usada na guerra do Vietnã, depois de constatar que o barulho dos tigres deu certo, os americanos decidiram apelar para os fantasmas. Isso mesmo, fantasmas!
Os vietcongs eram muito supersticiosos e religiosos, eles acreditavam que se o corpo não fosse devidamente tratado e sepultado segundo os rituais a alma da pessoa vagaria para sempre sem descanso. Todos tinham medo de virar almas penadas, o que era provável se morressem no meio da floresta durante a guerra. Os vietcongs tentavam não pensar nisso, enquanto os americanos tentavam fazer com que eles não se esquecessem em momento algum disso.
Além de alto-falantes espalhados na floresta os americanos voavam baixo em seus helicópteros, transmitindo sons aterrorizantes, soturnos, uivos, gritos e "vozes de crianças vietnamitas chamando pelo pai, que respondia que não podia ir para casa pois havia morrido inutilmente na floresta, e agora vagava em busca de vingança", bem especifico não acha?
Os vietcongs não gostaram nada das mensagens assustadoras (que você pode ouvir no vídeo acima), e fizeram o que nunca faziam: atiravam de noite em um helicóptero. Assim ficava simples para os americanos verem de onde os tiros estavam vindo, e atrás do helicóptero com os alto-falantes tinha um outro armado com uma minigun disparando 4000 tiros por minuto nos vietcongs. 
O curioso é que a vítima mais aterrorizada com essa operação não foi um vietcong, mas o piloto do avião chamado Gabby. Ele normalmente voava em operações de propaganda, jogando panfletos e transmitindo mensagens estimulando a rendição do inimigo. Em 1968 um dos técnicos resolveu testar sua fita "demoníaca", mandando o Gabby em um voo noturno. Quando o avião voltou o piloto desceu direto para falar com o comandante da base, depois foi até o técnico e disse que ele nunca mais iria voar tocando aquela fita, ela irritou tanto os vietcongs que ele foi alvejado de todos os lados, nem fazia ideia de como ainda estava vivo.

19 de dezembro de 2016

Os maiores guerreiros do mundo animal

Você já conheceu os maiores guerreiros do mundo, mas animais também participam de guerras o tempo todo, e alguns deles se sobressaem e ganham o coração de muita gente através dos anos, inspirando as pessoas com sua bravura e coragem. 
Agora você vai conhecer alguns deles, então confira e se entretenha conosco.

Domínio público. Defense Visual Information Distribution Service
Cher Ami é com certeza a pomba mais famosa do mundo, seus feitos na Primeira Guerra Mundial são contados até hoje. Tudo começou quando a jovem pombo-correio foi doado pelos britânicos aos americanos, para que eles a usassem enquanto estivessem em solo francês, usar pombos para levar mensagens era comum, mas ninguém esperava que Cher Ami fosse fazer tanta diferença.
Em 3 de outubro de 1918 o Major Charles White Whittlesey e mais de 500 de seus soldados ficaram presos em uma pequena depressão ao lado de uma colina atrás de linhas inimigas sem comida ou munição. Tropas aliadas não sabiam que eles estavam ali e começaram a abrir fogo e matar alguns deles, eles estavam cercados por todos os lados tanto pelos inimigos quanto por fogo-amigo. No final do primeiro dia apenas 190 homens haviam sobrevivido, eles com certeza seriam dizimados no segundo, o Major mandou um pombo-correio com uma mensagem de socorro para a base, mas o pombo foi atingido e morreu, ele tentou novamente e o outro pombo também morreu. Agora havia sobrado apenas uma salvação, uma jovem pomba de penas brilhantes chamada Cher Ami.
A mensagem amarrada a Cher Ami lia o seguinte: "Estamos ao longo da estrada paralela (sic) para 276,4. Nossa própria artilharia está derrubando uma barragem diretamente sobre nós. Pelo amor de Deus, pare". A pomba de guerra era a última salvação dos soldados, mas quando ela alçou voo ela também foi atingida por um tiro, mas para a surpresa geral ela voltou a voar.
Ela voou por 40 Km em 25 minutos, e conseguiu levar a mensagem ao quartel, salvando a vida de 194 homens no total. Cher Ami havia sido atingida no peito, ficou cega de um olho e perdeu uma perna, mas ela completou sua missão.
Cher tornou-se a heroína da 77ª Divisão de Infantaria. Médicos do exército trabalharam para salvar sua vida. Eles também esculpiram uma pequena perna de madeira para ela. Quando ela se recuperou o suficiente para viajar, o pássaro de uma perna foi colocado em um barco para os Estados Unidos, com o General John J. Pershing. Nos E.U.A Cher Ami recebeu a Medalha da Croix de Guerre junto com o Pacote de Folhas de Carvalho de Palma por seu heroico serviço ao entregar 12 mensagens importantes em Verdun.
Ela morreu em Fort Monmouth, Nova Jersey, em 13 de junho de 1919, das feridas que recebeu em batalha e foi mais tarde induzida no Pigeon Racing Hall of Fame em 1931. Ela também recebeu uma medalha de ouro dos Organized Bodies of American Racing Pigeon Fanciers em reconhecimento ao seu extraordinário serviço durante a Primeira Guerra Mundial.
Seu corpo foi empalhado, sua história mostrada em diversos museus e Cher Ami, que significa "Querido Amigo" em francês, nunca será esquecida por seus feitos.

15 de julho de 2023

Os maiores guerreiros do mundo animal #3

Guerreiros vem em todos os sexos, cores, tamanhos e espécies, por aí existem muitos animais que fizeram coisas incríveis e ganharam o respeito do público. Confira agora mais alguns dos maiores guerreiros animais que o mundo já viu, mas se você preferir ler sobre os maiores guerreiros humanos de todos os tempos, clique aqui.

Domínio público
Rags, esse é o nome desse pequeno herói da raça Terrier, sua história é importante porque ele se tornou um dos primeiros cães soldados da Primeira Guerra Mundial.
Rags foi encontrado abandonado nas ruas de Paris por um americano, o soldado James Donovan, um Especialista do Corpo de Sinalização que servia com a 1ª Divisão de Infantaria dos EUA. Donovan chamou o cão de Rags ("Trapos"), porque quando o encontrou pela primeira vez ele o confundiu com uma pilha de trapos. Donovan tinha marchado no desfile do dia da Bastilha e estava atrasado. Para evitar estar ausente sem licença, Donovan mentiu à Polícia Militar e disse que Rags era o mascote desaparecido da 1ª Divisão de Infantaria e que ele fazia parte de um grupo de busca que estava procurando o cachorro. Ao retornar à sua unidade, Donovan escapou do castigo e ainda foi autorizado a manter Rags como seu mascote.
O trabalho do novo dono de Rags na linha de frente foi o de comunicação, para isso ele também teve que reparar os fios de campo telefônicos que tinham sido danificados por fogo de artilharia. O trabalho era perigoso, só tinha uma rota para trocar as linhas, e os inimigos sabiam disso, por isso quase todos os comunicadores morriam, foi então que Donovan teve uma ideia genial, ele treinou Rags para levar mensagens em sua coleira.
Em julho de 1918, Rags e Donovan e uma unidade de infantaria de 42 homens foram cortados e rodeados por alemães inimigos. Rags era a única salvação dos soldados e ele não deixou a desejar, levando de volta uma mensagem sua coragem resultou em uma barragem de artilharia e reforços que resgataram o grupo, a bravura de Rags se espalhou pela infantaria.
Em setembro de 1918, Rags e Donovan estavam envolvidos na campanha americana final da guerra. Rags realizou uma série de trocas de mensagens e em 2 de Outubro de 1918, salvando a vida de centenas de soldados.
Rags também aprendeu a avisar os soldados que bombas estavam chegando ao se deitar e "agarrar" o chão com suas patas, ele aprendeu isso apenas observando os soldados, ele também sabia saudar colocando sua pata na cabeça e, claro, ele sabia pedir petiscos, muitos lugares já até deixavam uma vasilha com água para ele beber caso ele visitasse o lugar.
Em 9 de Outubro de 1918, Rags e Donovan foram as vítimas de fogo de artilharia e gás alemães. Rags teve sua pata dianteira direita, orelha direita e olho direito machucados por lascas de bombas, e também foi levemente gaseado. Donovan foi mais gravemente ferido. Os dois foram mantidos juntos e levados de volta para uma estação, em seguida, vários hospitais diferentes. Como Rags era um cão muitos não gostaram do tratamento especial que ele estava recebendo, mas sempre que eles reclamavam eles eram informados que as ordens vinham de seus superiores. O cão foi rapidamente curado após um tratamento excelente. A saúde de Donovan, no entanto, piorou e ambos foram devolvidos aos Estados Unidos. 
Rags teve de ser "traficado" para um trem e um navio, Donovan continuou no hospital e Rags ganhou uma nova coleira que dizia "Rags da 1° Divisão".
Tragicamente o dono de Rags não se recuperou e morreu em 1919, deixando Rags como o mascote da sede onde ele estava ficando durante o tratamento, até que em 1920 o Major Raymond W. Hardenbergh, sua esposa e duas filhas chegaram a Fort Sheridan. A família e Rags logo se entrosaram e adotaram o cão. Rags se tornou uma celebridade Nova Yorkina com vários artigos escritos em sua homenagem, também conheceu políticos e soldados do alto escalão.
Rags faleceu com incríveis 20 anos de idade e foi enterrado com todas as honras militares e um memorial foi erguido em sua homenagem.

13 de novembro de 2019

Os maiores guerreiros do mundo animal #8

Cães, macacos, elefantes e gatos, se humanos podem adestrar você pode apostar que eles vão força-los a lutar em suas guerras. E como alguns desses animais entraram para a história devido a sua bravura extraordinária, nada mais justo do que recontar as suas vidas aqui no nosso site.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros animais que já viveram, e se você quiser conhecer os guerreiros humanos dessa lista, clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte.
E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policias) do mundo, clicando aqui.

Raymond Okonski / Bamse / CC BY-SA 2.0
Conheça Bamse, um cão da raça São Bernardo que se tornou o heroico mascote das Forças Livres da Noruega durante a Segunda Guerra Mundial. Na verdade ele foi além, ele se tornou um símbolo da própria liberdade norueguesa durante a guerra.
O cão foi comprado em Oslo, na Noruega, por Erling Hafto, o capitão do navio caçador de baleias Thorodd. Hafto queria transformar o animal em um cão marinheiro e desde cedo o levou a bordo de seu navio. O filhote foi então nomeado Bamse, que significa algo como "Urso de Pelúcia".
Em suas memórias de infância, a filha do Capitão Hafto, Vigdis, lembra-se que Bamse já nasceu um cão naturalmente gentil e que ele cuidava das crianças enquanto elas brincavam.
Tudo estava indo bem para o jovem filhote, mas como sempre Hitler tinha de estragar tudo. No início da Segunda Guerra Mundial o navio Thorodd foi convocado para a Marinha Real Norueguesa como um navio de patrulha costeira, Bamse foi então inscrito como membro oficial da tripulação em 9 de fevereiro de 1940. 
Após a invasão nazista da Noruega em 9 de abril de 1940 o Thorodd fazia parte da oposição naval contra os alemães, ele tinha como um dos seus usos o transporte de prisioneiros de guerra. O navio acabou servindo como um "caçador de minas" depois de ser um dos 13 navios que conseguiu fugir para o Reino Unido quando os nazistas atacaram de vez.
Bamse, assim como muitos outros mascotes de guerra, servia para erguer a moral da tripulação do navio, mas ele também mostrava seu valor de outras maneiras. Em batalha ele ficava na torre da frente do navio, por isso a tripulação fez pra ele um capacete especial de metal que cabia em sua cabeça. Seus atos de heroísmo durante esse tempo incluíram salvar um jovem tenente-comandante que fora atacado por um homem empunhando uma faca, ao empurrar o atacante para o mar, e arrastar de volta à praia um marinheiro que havia caído no oceano.
Ele também era conhecido por separar brigas entre seus colegas de equipe, colocando as patas nos ombros deles, acalmando-os e depois levando-os de volta ao navio. 
Uma das tarefas mais incríveis de Bamse na Escócia, porém, era reunir sua tripulação e escoltá-los de volta ao navio a tempo para o dever ou o toque de recolher. Para fazer isso, ele viajou nos ônibus locais desacompanhado, a tripulação comprou para ele um passe de ônibus que ficava preso em sua coleira. Bamse ia até o ponto de ônibus na Broughty Ferry Road e pegava o ônibus até Dundee. Ele descia na parada de ônibus perto do bebedouro favorito de sua equipe, o Bar Bodega, e ia buscá-los. Se ele não pudesse localizar seus amigos, ele pegaria o ônibus de volta à base sozinho.
Devido aos seus atos incríveis Bamse foi do mascote de seu navio para o mascote de toda a Marinha Real Norueguesa, e depois de todas as Forças Livres da Noruega. Uma fotografia icônica dele usando um boné de marinheiro norueguês foi usado em cartões de Páscoa patrióticos e cartões de Natal durante a guerra. O PDSA (uma organização veterinária de caridade) fez dele um Mascote Oficial das Forças Aliadas.
Mas infelizmente a carreira de Bamse ia ser mais curta do que o esperado, sofrendo de insuficiência cardíaca Bamse morreu no porto de Montrose em 22 de julho de 1944, ele tinha entre 6 e 7 anos de idade apenas. Ele foi enterrado com todas as honras militares. 
Centenas de marinheiros noruegueses, soldados aliados, estudantes e cidadãos de Montrose e Dundee compareceram ao seu funeral. Seu túmulo nas dunas de areia foi cuidado pela população local. A Marinha Real da Noruega realiza uma cerimônia comemorativa a cada dez anos em sua homenagem. 
Depois de sua morte ele recebeu várias medalhas e uma estátua de bronze. Em 2016, cerca de 72 anos após sua morte, 17 acres de floresta foram plantados em sua honra.
Devido ao interesse das pessoas em sua história ele acabou também virando atração de museus e teve um livro escrito sobre sua vida, por isso sua lenda sempre será lembrada.

11 de setembro de 2021

Os maiores guerreiros do mundo animal #7

No mundo sempre existiram guerras, e quando humanos entram em guerra você pode apostar que eles vão levar todo mundo com eles, isso inclui cães, macacos, elefantes, gatos e tudo que eles conseguirem adestrar.
E como alguns desses animais de guerra entraram para a história devido a sua bravura extraordinária, nada mais justo do que recontar as suas histórias aqui.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros animais que já viveram, e se você quiser conhecer os guerreiros humanos dessa lista, clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte.

Duck. Original public domain image from Flickr, RawPixel
Vamos começar com Siwash, o pato marinheiro. O Primeiro Batalhão do Décimo Regimento Marinho conseguiu adquirir um pato chamado Siwash como seu mascote oficial. Supostamente um fuzileiro naval ganhou o patinho em um jogo de pôquer na Nova Zelândia e ao invés de comê-lo decidiu fazer dele um animal de estimação. 
Siwash se adaptou bem a vida de marinheiro, ele até mesmo bebia cerveja e dividia refeições com os outros fuzileiros, quando chegou a guerra ele acompanhou eles até a Batalha de Tarawa em 1943, onde o animal se envolveu em um combate corpo-a-corpo com um inimigo, um galo japonês. Uma citação foi publicada na revista LIFE um ano depois:
"Por ação corajosa e feridas recebidas em Tarawa, nas Ilhas Gilbert, em novembro de 1943. Com total desrespeito por sua própria segurança pessoal, Siwash, ao chegar à praia, sem hesitação, enfrentou o inimigo em um combate feroz, a saber, um galo de ascendência japonesa. E embora ferido na cabeça por repetidas bicadas, ele logo derrotou a oposição. Ele recusou ajuda médica até que todos os membros feridos de sua seção tivessem sido cuidados."
Após a guerra o trabalho de Siwash ainda não havia acabado, ele passou a trabalhar como recrutador oficial do exército para a guerra das Coréias, ajudando a encher os rankings do exército um pouquinho de cada vez.
Siwash foi referido como "ele" durante a guerra mas foi referido como "ela" depois de sua aposentadoria, quando ela foi mandada ao zoológico Lincoln Park. É possível que os soldados sabiam que o pato era fêmea, mas eles tiveram de esconder seu gênero para que ela pudesse servir.
Siwash viveu até 1954, quando morreu de uma doença no fígado 11 anos depois de se juntar aos fuzileiros. De acordo com o obituário da pata, a morte dela não tinha ligação com o "gosto pela cerveja". 
Um funeral foi realizado na loja de um taxidermista em homenagem ao animal.

1 de abril de 2017

Os maiores guerreiros do mundo animal #2

Guerreiros podem vir de todas as nacionalidades, tamanhos, épocas e até espécies. Você já conheceu alguns dos maiores soldados, guerreiros e espiões que já viveram, e agora você vai ser a segunda parte dessa matéria que vai mostrar mais alguns animais que inspiraram as pessoas com sua bravura e inteligência. Confira, você não vai se arrepender.

USMC Archives, CC BY 2.0 DEED, imagem cortada
Se você leu a primeira parte dessa matéria você sabe que desde a Segunda Guerra Mundial o exército deixou de reconhecer os feitos de animais em guerras, assim apenas soldados levavam os créditos, mas vamos avançar um pouco no tempo para a Guerra do Vietnã de 1955. Nessa época o exército tinha avançado em sua campanha contra cães de guerra, tanto que eles nem eram mais considerados seres vivos e sim "equipamento extra". Eles nem ao menos tinham nomes de verdade e sim um nome seguido por um número de identificação. Esse foi o caso do pastor alemão Nemo A534.
Pouco se sabe sobre o passado de Nemo, afinal ele era um objeto então sua história não precisava ser contada, mas o que ele fez na guerra chamou a atenção das pessoas e o tornou famoso mesmo assim.
A base aérea de Tan Son Nhut, onde Nemo estava estacionado, caiu sob um ataque surpresa dos Viet Cong nas primeiras horas de 4 de dezembro de 1966. Nemo, como o bom cão de guarda que ele era, defendeu sua base com garras e dentes e no processo acabou perdendo um olho e sofrendo um ferimento de bala no focinho. 
Apesar de suas lesões graves, Nemo ainda queria lutar e conseguiu repelir o ataque e salvou a vida de seu tratador, o aviador Robert A. Throneburg, que também havia sido ferido em batalha. Rastejando através do corpo de Throneburg, Nemo atacava qualquer soldado inimigo que se aproximasse dele, ele fez isso por horas até que a equipe médica aliada finalmente chegou em sua base.
Embora Nemo tenha feito todo o trabalho foi seu treinador que recebeu as várias medalhas daquela dia, mas o cachorro não ligava, ele só queria fazer seu trabalho.
Mesmo sem receber os créditos a história de Nemo se espalhou e o E.U.A deixou com que Nemo voltasse para casa e se tornasse um dos primeiros K-9 a se aposentar, ele voltou para seu lar e levou uma vida tranquila na base militar até sua morte em 1972. Até hoje existe um memorial em sua honra no local onde ele faleceu.
Embora o pastor alemão tenha se aposentado, os outros cães de guerra da Guerra do Vietnã não tiveram tanta sorte, os militares abandonaram e executaram milhares de unidades K-9 quando a guerra acabou. Os que foram abandonados no Vietnã não se sabe o que aconteceu, eles podem ter sido mortos pelos soldados inimigos, mortos pela fome e sede ou mortos para serem consumidos como comida pelos vietnamitas.

12 de junho de 2019

Conheça as armas mais estranhas do mundo

Espadas, facas, escudos, pistolas... armas estão em filmes, séries, jogos, então todo mundo conhece elas, mas algumas acabaram fugindo um pouco do padrão.
Conheça nessa matéria algumas das armas mais estranhas do mundo, da bomba gay até uma bomba guiada por pombos, tem de tudo no mundo militar.

Foto de Alexander Grey na Unsplash
Vamos começar com o que foi provavelmente a arma mais bizarra da história do mundo: a Bomba Gay. 
A bomba era uma arma não letal que continha uma combinação de substâncias químicas que, segundo os seus desenvolvedores, causavam o comportamento homossexual no inimigo.
A bomba, claro, nunca foi levada a sério e muito menos usada em algum conflito de verdade.

Metropolitan Museum of Art, CC0, via Wikimedia Commons
Essa é uma mistura de pistola com faca de caça, basicamente um mecanismo removível era acoplado na faca transformando ela em uma pistola. Não era muito potente, mas podia matar alguém de perto.
Hoje ela está exposta em museus, mais estranho ainda ela está exposta em um museu de arte.

British Government, Domínio público, via Wikimedia Commons
Esse é o Grande Panjadrum, basicamente os foguetes nas rodas fariam ela rodar até a defesa dos nazistas e explodiria elas (e eles). 
O armamento bizarro foi criado pelos ingleses mas não teve o efeito desejado e nem chegou a ser usado na guerra.

3 de julho de 2020

Os maiores guerreiros do mundo #9

Seja bem-vindo a mais uma parte de nossa incrível série de matérias sobre os maiores guerreiros que já viveram, sejam eles humanos ou animais, aqui você vai descobrir a história de pessoas reais cujos feitos inacreditáveis os transformaram em lendas históricas. 
E se você quiser conhecer a história de mais pessoas que viraram lendas, clique aqui e leia nossas matérias da série sobre a história dos criminosos mais famosos do mundo.

Anthony van Dyck, Domínio público, via Wikimedia Commons
Embora Rupert do Reno (chamado de Ruperto no Brasil) tenha uma aparência que lhe faz parecer uma pessoa frágil, não se engane, ele foi um dos maiores guerreiros que já existiu.
Rupert nasceu com sorte, mas ela não durou muito. Ele nasceu em Praga, Boêmia, em 1619, e foi declarado príncipe pelo principado de Lusatia. Seu pai tinha sido eleito Rei da Boêmia pouco tempo atrás, mas viria a perder esse título depois de uma guerra, e passou a ser sinônimo de piada para muitos que viviam ali. A mãe de Rupert não parecia gostar muito dos filhos, ela passava mais tempo com seus cães e macacos de estimação do que com as crianças, tanto que depois que seu pai perdeu a guerra a família de Rupert teve de fugir, mas eles quase deixaram o garoto para trás, foi um cortesão que colocou a criança na carruagem no último minuto.
O ex-príncipe e seus irmãos eram cuidados por governantes que faziam eles seguirem a ideologia política que eles escolhessem. As crianças ainda tinham uma rotina escolar rigorosa, incluindo lógica, matemática, escrita, desenho, canto e instrumentos musicais. Quando criança, Rupert às vezes era mal educado e ganhou o apelido de Robert le Diable, ou "Rupert o Diabo". No entanto, ele provou ser um aluno muito capaz. Aos três anos de idade, ele sabia falar inglês, tcheco e francês, e dominava o alemão ainda jovem, ele se destacou na arte, e achava fácil matemática e ciências. Quando ele tinha 18 anos, já tinha cerca de 1,93 m de altura.
Aos 14 anos Rupert decidiu seguir a carreira de militar, mesmo sendo mais jovem do que a maioria dos guerreiros da época. Depois de lutar em uma guerra ele foi "promovido" a salva-vidas militar do príncipe Frederick Henry em 1635. O garoto continuou a lutar contra a Espanha Imperial na bem-sucedida campanha de Breda em 1637 durante a Guerra dos Oitenta Anos na Holanda. No final deste período, Rupert já havia adquirido uma reputação de destemido em batalha, além disso ele tinha muito alto-astral, uma qualidade rara em alguém que estava no meio da guerra e podia morrer a qualquer momento.
Rupert foi colocado no comando de um regimento de cavalaria do Palatinado, mas dessa vez perdeu a batalha, ele tentou fugir mas foi capturado por inimigos. Ele tentou subornar os guardas mas falhou, e embora ele pudesse ser torturado ou até morto na prisão, a grande preocupação de sua mãe era que Rupert fosse convertido do Calvinismo ao Catolicismo. O Imperador Ferdinando gostou da ideia, ele mandou padres jesuítas tentarem converter Rupert, ele ainda prometeu liberdade, terras, dinheiro e um posto como general imperial se Rupert trocasse de religião, mas o prisioneiro se recusou.
O que ninguém contava é que a espada não era a única arma de Rupert, seu charme também era poderoso, ele virou amigo do irmão mais novo do Imperador, que convenceu o irmão mais velho a pegar mais leve com o prisioneiro, mas isso não foi tudo, Rupert passou a praticar gravura, tênis, tiro, leu livros militares e foi levado em viagens de caça acompanhadas, tudo isso enquanto ainda tecnicamente estava preso. Para ficar ainda melhor ele passou a ter um caso com a filha de seu carcereiro, o Conde von Kuffstein. Ele ainda ganhou um poodle branco de presente, um animal raro na época, que ele chamou de Boy, ou Pudel.
Membros do exército tentaram libertar Rupert, mas depois de uma negociação entre as duas partes ele saiu andando da cadeia em troca da promessa de nunca mais levantar uma arma contra o Imperador. Dizem que Rupert, charmoso como sempre, até mesmo beijou a mão do Imperador antes de ir embora.
Porém, Rupert provavelmente é mais lembrado hoje por seu papel como comandante monarquista durante a Guerra Civil Inglesa. Ele teve um sucesso considerável durante os primeiros anos da guerra, sua determinação, vontade de ganhar e experiência em técnicas europeias, lhe trouxeram várias vitórias iniciais.
Mas a medida que a guerra progredia, a juventude de Rupert e a falta de maturidade em administrar seus relacionamentos com outros comandantes monarquistas acabaram por resultar anos depois em sua remoção de seu posto e na aposentadoria final da guerra, afinal, ele ainda era considerado por muitos uma criança. Durante o conflito, no entanto, Rupert também ganhou uma poderosa posição simbólica: ele era um Cavaleiro Realista Icônico e, como tal, era frequentemente objeto de propaganda parlamentar e monarquista, uma imagem que durou ao longo dos anos.
O cara tinha um temperamento bem direto, ele não tinha problemas em dizer quem ele respeitava e quem ele não respeitava, e em uma época onde todo mundo tinha de puxar o saco da realeza, não precisa dizer que Rupert fez muitos inimigos. Seu senso de humor sarcástico porém não tirava o fato de que ele era muito esperto e paciente quando necessário, qualidades que lhe renderam muitos amigos.
Rupert ainda continuou a impressionar com suas batalhas, em 1644, agora Duque de Cumberland e conde de Holderness, ele liderou o alívio militar de Newark, York e seu castelo. Tendo marchado para o norte, ao longo do caminho ele se envolveu em dois ataques sangrentos, mas sobreviveu, Rupert ainda interveio em Yorkshire em duas manobras altamente eficazes, na primeira superando as forças inimigas em Newark com pura velocidade, na segunda, atingindo o país em cheio e se aproximando de York a partir do norte. Mas ele não era invencível e também perdia batalhas, embora muitos não culpassem Rupert na época pelas derrotas, mas sim a falta de comunicação entre o exército e os monarquistas.
Em novembro de 1644, Rupert foi nomeado general de todo o exército real, o que aumentou as tensões já acentuadas entre ele e vários conselheiros do rei. Basicamente Rupert dizia que uma batalha seria perda de tempo, mas os conselheiros mandavam ele a guerra mesmo assim, e ele, claro, perdia a batalha, o que machucava sua reputação. Depois de um tempo Rupert estava de saco cheio e considerou os esforços reais uma grande perda de tempo e implorou para que um acordo de paz fosse feito. Mas os conselheiros ainda acreditavam que eles podiam ganhar, Rupert então se envolveu em uma batalha impossível de se ganhar, e fez o que provavelmente foi a decisão mais difícil de sua carreira, ele desistiu de lutar e entregou o território aos seus inimigos. Claro que assim que a notícia chegou aos "chefões" ele foi demitido de seu cargo na mesma hora.
Rupert porém não estava feliz com isso, para ele sua decisão de desistir da batalha era a coisa certa a se fazer para evitar mortes desnecessárias, por isso quando foi demitido ele resolveu que teria uma conversinha cara a cara com o Rei Charles, mesmo se o Rei não quisesse vê-lo. Rupert respondeu atravessando o território parlamentar ocupado pelo rei em Newark com o príncipe Maurice e cerca de cem homens, abrindo caminho por unidades inimigas menores e fugindo das maiores. O Rei Charles tentou ordenar que Rupert desistisse, temendo um golpe armado, mas Rupert chegou à corte real mesmo assim. Depois de uma conversa difícil Rupert convenceu o Rei a mandar ele e seus aliados a julgamento, onde foram exonerados. Depois de ganhar sua honra de volta ao ser inocentado ele mesmo se demitiu e ainda levou seus melhores soldados com ele. Mas anos depois ele fez as pazes com o Rei, mesmo assim o parlamento baniu Rupert e seu irmão de toda a Inglaterra. Ele passou então a atuar como uma espécie de mercenário trabalhando para os espanhóis, alemães e até para a Marinha Real.
Devido a seu temperamento difícil, Rupert foi várias vezes alvo de rumores de crimes de guerra, incluindo ter queimado uma cidade inteira uma vez, mas até hoje nada foi provado.
Rupert era tão bom no que fazia que muitos o acusaram até de bruxaria, e ainda acusaram seu poodle de estimação de ser um familiar, diziam até mesmo que o cachorro conseguia pegar balas no ar para proteger Rupert. 
Além de soldado ele era ainda um artista famoso, um inventor e tinha vários interesses no mundo da ciência, o que provavelmente não ajudou com sua fama de bruxo perante a igreja e seus seguidores.
Após a Restauração da monarquia em 1660, Rupert retornou à Inglaterra mesmo depois de ser banido, como a maioria dos melhores cargos no governo já haviam sido ocupados, o emprego de Rupert era limitado, embora o Rei Charles o recompensasse com a segunda maior pensão que ele havia concedido, 4.000 libras por ano.
A saúde de Rupert também piorou consideravelmente depois de sua aposentadoria, ele sofria com um ferimento na cabeça de seus dias de mercenário, um na perna e ainda tinha de lidar com a malária. Rupert morreu em sua casa em Spring Gardens, Westminster, em 29 de novembro de 1682, aos 62 anos, após um ataque de pleurisia, ele foi enterrado na cripta da Abadia de Westminster em 6 de dezembro, em um funeral estadual. Seu filho seguiu os passos do pai e virou militar, mas faleceu ainda adolescente. Hoje Rupert apareceu em livros, filmes, jogos e ainda teve diversos lugares batizados em sua honra, o "pequeno demônio" continua a ser lembrado.

1 de outubro de 2019

Os maiores guerreiros do mundo #8

Seja bem-vindo a mais uma parte de nossa incrível série de matérias sobre os maiores guerreiros que já viveram, sejam eles humanos ou animais, aqui você vai descobrir a história de pessoas reais cujos feitos inacreditáveis os transformaram em lendas históricas.
E se você quiser conhecer a história de mais pessoas que viraram lendas, clique aqui e leia nossas matérias da série sobre a história dos criminosos mais famosos do mundo.

TSHA ~ in accordance with Title 17 U.S.C. Section 107., Domínio público, via Wikimedia Commons
Vamos começar com Chris Kyle, o sniper americano cuja vida inspirou o filme indicado ao Oscar American Sniper, estrelado por Bradley Cooper. Mas é claro que o filme mentiu pra caramba sobre sua história, mesmo assim a de verdade ainda é incrível e você vai conhecer ela agora.
Christopher Scott Kyle nasceu em Odessa, Texas, o primeiro de dois meninos, ele era filho de Deby Lynn e Wayne Kenneth Kyle, um professor de escola dominical e diácono. O pai de Kyle comprou para seu filho seu primeiro rifle quando ele tinha apenas 8 anos de idade, algo comum nos E.U.A, e mais tarde uma espingarda, com a qual eles caçavam veados, faisões e codornas. 
Kyle e seu irmão cresceram criando até 150 cabeças de gado de cada vez. Ele cursou o ensino médio em Midlothian, Texas, e depois de se formar, tornou-se profissional de rodeio e rancho, mas sua carreira de peão terminou abruptamente quando ele feriu gravemente seu braço.
Sem uma carreira para seguir, Kyle fez o que muitos americanos fazem nessas horas de desespero, ele se juntou ao exército. Ele foi para um escritório de recrutamento militar, e estava interessado em se juntar às Operações Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. Um recrutador da Marinha dos EUA, porém, convenceu-o a tentar, em vez disso, os SEALs. Inicialmente, Kyle foi rejeitado por causa dos pinos em seu braço, mas acabou recebendo um convite para o treinamento básico de demolição submarina/mar, ar e terra em Coronado, Califórnia, em 1999. Kyle surpreendeu a todos e mesmo machucado ele se formou com a Turma 233 em março de 2001.
Atribuído ao Time-3 da equipe SEAL, Kyle se tornou um sniper profissional, e com quatro turnos de serviço ele serviu em muitas batalhas importantes da Guerra do Iraque, algo inesperado para um iniciante. Seu primeiro tiro de longa distância foi feito durante a invasão inicial, quando ele atirou em uma mulher que estava carregando uma granada de mão junto a uma criança e se aproximando de um grupo de fuzileiros navais. Como ordenado, Kyle abriu fogo, matando a mulher antes que ela pudesse atacar. Mais tarde, ele declarou: "a mulher já estava morta. Eu estava apenas me certificando de que ela não levasse nenhum fuzileiro naval com ela. Estava claro que não apenas ela queria matá-los, mas ela não se importava com ninguém por perto que teria sido explodido pela granada ou morto no tiroteio. Crianças na rua, pessoas nas casas, talvez seu filho."
Kyle viria a matar mais pessoas com seu famoso rifle sniper, ele acabou surpreendendo os outros soldados, já que ele sozinho estava aparentemente matando mais do que outros times inteiros, e seus inimigos também notaram isso. Por causa de seu histórico como atirador durante sua missão em Ramadi, os insurgentes o nomearam como Shaitan Ar-Ramadi, "O Diabo de Ramadi", e colocaram uma recompensa de 20.000 dólares em sua cabeça, que depois foi aumentada para $ 80.000. Eles postaram cartazes destacando a cruz em seu braço como um meio de identificá-lo. Eles o queriam morto a todo custo.
Seu tiro mais famoso foi dado em 2008, quando o sniper notou que um sniper inimigo estava mirando em seus aliados, ele então resolveu que teria de matá-lo ele mesmo. Com seu rifle ele atirou de uma distância de 1,920 metros, e conseguiu matar o insurgente em um tiro que ele mesmo admitiu que foi "pura sorte".
Depois de sofrer atentados a sua vida e matar vários inimigos o soldado ficou conhecido como "The Legend", ou "A Lenda", entre a infantaria geral e fuzileiros navais que ele tinha a tarefa de proteger. O apelido se originou entre os SEALs de Kyle depois dele tirar uma licença sabática para treinar outros atiradores em Fallujah, e às vezes ele era chamado de "O Mito". Durante quatro turnos de serviço na Guerra do Iraque, ele foi baleado duas vezes e sobreviveu a seis detonações separadas de explosivos improvisados. 
Kyle foi indiscutivelmente um dos melhores franco-atiradores da história do exército dos Estados Unidos, com um grande número de mortes confirmadas e não confirmadas. Acredita-se que ele tenha matado no mínimo 150 inimigos com seu rifle, um número que foi confirmado pelo Pentágono (o recorde americano anterior era 109). Mas no total ele pode ter matado até 255 soldados inimigos.
Em sua autobiografia, Kyle escreveu: "A Marinha me credita com mais mortes como atirador do que qualquer outro membro do serviço americano, passado ou presente. Eu acho que é verdade." 
Ao fim de seus turnos Kyle ganhou a Estrela de Prata, a Medalha de Estrela de Bronze e a Medalha da Realização da Marinha e do Corpo dos Marines, ele foi dispensado com todas as honras depois de quatro tours de guerra.
Mas a história de Kyle não acabaria com o final feliz que muitos esperavam, depois de sair do exército ele e sua esposa se mudaram para o Texas e o ex-sniper virou um instrutor.
Em 2 de fevereiro de 2013, Kyle e seu amigo, Chad Littlefield, foram assassinados a tiros por Eddie Ray Routh no campo de tiro. Eddie também era um soldado, só que ele sofria de estresse pós-traumático, e para piorar ele era esquizofrênico. O grande sniper não morreu por mãos inimigas, mas sim pelas de seu próprio aliado.
Graças ao seu livro e filme a história de Kyle vai ser lembrada por muitos anos, e mesmo que muitos critiquem ela, não dá pra negar que como soldado ele se superou.

13 de agosto de 2020

Os maiores guerreiros do mundo animal #9

De cães e gatos, até macacos, burros e elefantes, não existe um animal que possa ser adestrado que não tenha sido usado por humanos em suas guerras, mas alguns desses bichinhos se superaram no quesito habilidade e entraram para a história como grandes guerreiros, confira agora a história de mais alguns deles.
E caso goste da matéria clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte (incluindo guerreiros humanos). E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policiais) do mundo, clicando aqui.

Attributed to Louise Hollandine of the Palatinate, Domínio público, via Wikimedia Commons
Vamos começar com Boy, ou Pudol, ou Boye, ou Puddle, bom... o cachorro tinha muitos nomes isso é certo, mas sua vida entrou para a história e você vai ler ela agora.
Para ficar mais fácil de entender vamos chamar o cachorro apenas de Boy, ele era um poodle branco que foi dado de presente ao famoso guerreiro Rupert do Reno (cuja vida nós já cobrimos na matéria "Os maiores guerreiros do mundo #9" caso você queira ler ela também). 
Boy foi dado ao ex-príncipe Rupert quando este foi preso na fortaleza de Linz durante a Guerra dos Trinta Anos. O conde de Arundel, um inglês que se tornou amigo do carismático Rupert, deu a ele o animal para lhe fazer companhia durante o confinamento. O cão era de uma raça rara de poodle branco de caça, na verdade provavelmente haviam dois poodles, um preto e um branco. O preto foi perdido no início da guerra, foi o sobrevivente branco que se tornou uma lenda. Como já vimos o cão era chamado por muitos nomes, mas principalmente de Boy, ou "Garoto", embora, curiosamente, ele talvez fosse fêmea. 
Onde quer que Rupert fosse, Boy o seguia bem de perto, incluindo pra guerra, o cão tinha visto mais morte e corpos do que muitos humanos, mas continuava leal a Rupert.
A fama de Boy era tanta que propagandas da época diziam que Rupert era um bruxo e que Boy era seu familiar, um cachorro bruxo que pegava balas com a boca e tinha poderes de magia negra que ele usava para ganhar suas batalhas, alguns até diziam que ele era o Diabo disfarçado. Tudo baboseira, mas Boy era suficientemente impressionante e famoso em toda a Europa, tanto que o sultão otomano da época, Murad IV, solicitou que seu embaixador tentasse encontrar para ele um animal semelhante ao poodle.
Com o passar dos anos a fama de Boy só crescia, ele agora não era só um cão bruxo, ele também era uma mulher que havia sido transformada em cão, podia encontrar tesouros, era invulnerável a ataques inimigos, era vidente e podia mudar de corpo igual um metamorfo.
Se o cão pudesse ler ele provavelmente se mataria de dar risada, toda essa fama fez com que os soldados reais promovessem Boy, de um simples mascote militar adotado, para o posto de sargento-major-general.
Alegadamente, Boy tinha outros atributos carinhosos, como inclinar a perninha quando ouvia o nome de John Pym, líder das forças parlamentares. Ele também teria se apresentado para Charles I, dormido na cama do príncipe Rupert e brincado com os príncipes Charles, James e Harry e a princesa Henrietta, e muitas vezes era alimentado com rosbife e peito de frango capão pelo próprio Rei Charles I.
Pelo que se sabe Boy era um cão feliz que tinha uma boa vida, mas a guerra não poupa ninguém, Boy morreu durante a Batalha de Marston Moor em 1644. Ele havia sido deixado em segurança no campo monarquista, mas escapou e foi atrás de seu dono, que ele sempre seguia. A batalha foi mal para os realistas, e Rupert foi forçado a fugir do campo, Boy foi morto durante a luta que se seguiu, provavelmente por um tiro. No fim a morte de Boy foi o que roubou a cena, ninguém ligava para os soldados apenas para o cão bruxo, ele foi representado com destaque em cenas em xilogravuras desenhadas na batalha na época, deitado de cabeça para baixo, morto. Simon Ash, historiador contemporâneo do evento, chamou atenção específica à morte desse cão "muito falado".
Hoje poucos conhecem a história de Boy, mas ele foi registrado como o primeiro cão oficial do exército britânico, um cargo que vai ficar para sempre na história do mundo.